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CUT: combate aos juros
Artur Henrique* e Pedro Armengol**
CUT
antecipa que vai combater a velha cantilena de aumentar os juros e
reduzir o investimento com servidores públicos e a reconstrução do
Estado.
Nem
a crise que abalou os Estados Unidos e Europa e que se alastrou pelo
mundo, com impactos diferenciados entre países e regiões, faz com que
os defensores das políticas neoliberais desistam de atacar as
conquistas do processo brasileiro de retomada do Estado como indutor do
crescimento.
Há
duas notícias que vem ganhando espaço em parte da imprensa, esta que em
grande parte é sustentada por esses sanguessugas do mercado.
A
primeira dessas notícias é a velha cantilena de que é preciso aumentar
os juros para controlar a inflação, como se nós estivéssemos vivendo
uma conjuntura de inflação de demanda - o que evidentemente não é o
caso - e de que o único instrumento de política macroeconômica para
coibir o suposto aumento da inflação seria a elevação da taxa básica de
juros.
Devemos
lembrar que as previsões do próprio Banco Central e até mesmo dos
consultores de mercado para a inflação 2010 são de que ela deve ficar
dentro da margem prevista pela meta oficial.
Outro
detalhe importante é que se há algum tipo de pressão inflacionária,
isso se dá por intermédio dos preços não controlados, como planos de
saúde, mensalidades escolares e tarifas de transporte público, o que
mostra, isso sim, a necessidade de estabelecermos mecanismos para
coibir a ganância dos empresários pelo lucro fácil e rápido.
Além
disso, o que as aves de rapina do mercado querem mesmo é lucrar com o
aumento da dívida pública. Não podemos esquecer que os títulos dessa
dívida pertencem a apenas 0,04% das famílias brasileiras. Cada aumento
da taxa básica de juros eleva a remuneração desses títulos.
A
outra cantilena que quer voltar ao noticiário é a velha e cansada,
irresponsável, campanha que vem sendo realizada por jornais e a revista
Veja, que querem a redução dos investimentos na reconstrução do Estado
brasileiro, que foi destruído ao longo dos anos 1990.
Frases
como "aumento absurdo de gastos com servidores", ou "inchaço da
máquina" contrastam com qualquer análise séria e responsável de quem
defende o papel do Estado como indutor do desenvolvimento.
O
número de servidores por habitante no Brasil está abaixo dos países que
compõem o G-20 - atenção para o detalhe de que o G-20 é um bastião do
capitalismo - e também não acompanhou o crescimento demográfico do País
nos últimos 30 anos.
Temos um longo caminho a percorrer para a necessária construção do Estado e do serviço público que os neoliberais destruíram.
E
aqui vai um alerta a alguns integrantes do governo Lula que teimam em
querer aprovar um projeto que limita os investimentos públicos com a
folha de pagamento dos servidores, na intenção de sinalizar ao mercado
que há preocupação com responsabilidade fiscal. Exigimos é
responsabilidade social.
(*) Presidente nacional da CUT
(**) Coordenação dos Trabalhadores Públicos da CUT
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