{"id":1341,"date":"2013-09-14T14:01:07","date_gmt":"2013-09-14T14:01:07","guid":{"rendered":"http:\/\/sindser.org.br\/s\/?p=1341"},"modified":"2021-09-05T09:59:53","modified_gmt":"2021-09-05T09:59:53","slug":"ha-30-anos-trabalhadoresas-desafiavam-a-repressao-militar-na-primeira-greve-geral-em-plena-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindser.org.br\/s\/ha-30-anos-trabalhadoresas-desafiavam-a-repressao-militar-na-primeira-greve-geral-em-plena-ditadura\/","title":{"rendered":"H\u00e1 30 anos, trabalhadores\/as desafiavam a repress\u00e3o militar na primeira greve geral em plena ditadura"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">Escrito por: William Pedreira com colabora\u00e7\u00e3o do Cedoc\/CUT<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto a classe trabalhadora se organizava para fundar a maior central sindical do Brasil, greves e mobiliza\u00e7\u00f5es contra a pol\u00edtica econ\u00f4mica ditada pelo regime militar pipocavam por todo o Pa\u00eds.<\/p>\n<p>O ano era 1983. Havia total submiss\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica brasileira ao FMI (Fundo Monet\u00e1rio Internacional) e banqueiros internacionais. A estrat\u00e9gia adotada pelos pa\u00edses imperialistas e pelo sistema financeiro internacional visava direcionar as consequ\u00eancias da crise para os pa\u00edses subdesenvolvidos, em particular ao Brasil.<\/p>\n<p>Todo este processo resultou em milh\u00f5es de trabalhadores sem emprego ou subempregados, achatamento do poder aquisitivo dos sal\u00e1rios, altas taxas de juros alimentando a especula\u00e7\u00e3o financeira, sal\u00e1rio m\u00ednimo equivalia a menos de um ter\u00e7o das necessidades b\u00e1sicas do trabalhador e sua fam\u00edlia, paralisa\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria brasileira e a mais completa desnacionaliza\u00e7\u00e3o da economia e das riquezas nacionais.<\/p>\n<p>Decretos afundam ainda mais o Pa\u00eds &#8211; o governo militar, sob o comando do general Jo\u00e3o Baptista Figueiredo, direcionava a pol\u00edtica econ\u00f4mica a partir das diretrizes delineadas pelo ent\u00e3o ministro do Planejamento Delfim Netto, o czar da economia dos militares.<\/p>\n<p>Frente \u00e0 crise do balan\u00e7o de pagamentos, resultado da imensa d\u00edvida externa acumulada pela ditadura militar (quase US$100 bilh\u00f5es), Delfim orientou o governo a seguir fielmente a pol\u00edtica ortodoxa do FMI para negociar uma sa\u00edda que superasse a crise sem ferir os interesses dos banqueiros internacionais e das classes dominantes.<\/p>\n<p>A infla\u00e7\u00e3o acumulada em 1982 chegou ao patamar de 100% ao ano. \u00c0 \u00e9poca, Delfim Netto, anunciou um empr\u00e9stimo de US$4,4 bilh\u00f5es junto ao FMI, assinando uma nova \u2018carta de inten\u00e7\u00f5es\u2019 onde o Pa\u00eds assumiria novos compromissos com a recess\u00e3o, o desemprego e o arrocho salarial.<\/p>\n<p>Seguiram-se assim sucessivas altera\u00e7\u00f5es na pol\u00edtica econ\u00f4mica e salarial. Somente no primeiro semestre de 1983 foram editados quatro decretos-lei &#8211; 2.012, 2.024, 2.036, e 2.045 -, cujo objetivo era impor novos crit\u00e9rios de redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>Pelo primeiro decreto, de n\u00famero 2.012, enviado pelo Executivo ao Congresso em 24 de fevereiro, os reajustes passariam a se dar da seguinte forma: 100% do INPC para a faixa de at\u00e9 tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos; 95% entre tr\u00eas e sete sal\u00e1rios; 80% de sete a 15 sal\u00e1rios e 50% de 15 a 20 sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>Rejeitado pelo Congresso, foi substitu\u00eddo em junho pelo Decreto-Lei 2.024. Diante de mais uma rejei\u00e7\u00e3o, em julho do mesmo ano surgia o Decreto-Lei 2.045 que suspendeu a corre\u00e7\u00e3o salarial por faixas de remunera\u00e7\u00e3o, restringindo os reajustes a 80% da varia\u00e7\u00e3o do INPC semestral.<\/p>\n<p>O regime militar, juntamente com FMI e setores do grande empresariado, iniciou tamb\u00e9m uma campanha de deprecia\u00e7\u00e3o das empresas estatais, apontando-as como ineficientes e respons\u00e1veis pelo aumento do d\u00e9ficit p\u00fablico.<\/p>\n<p>Tal campanha possu\u00eda apenas um objetivo: a desnacionaliza\u00e7\u00e3o das empresas p\u00fablicas. Nesta toada, o governo instituiu o decreto 2.036, conhecido como Pacote das Estatais, que atingiu duramente os trabalhadores com a suspens\u00e3o das promo\u00e7\u00f5es, limite de remunera\u00e7\u00e3o mensal para os servidores, a completa subordina\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de remunera\u00e7\u00e3o ao CNPS (Conselho Nacional de Pol\u00edtica Salarial) e o esvaziamento do papel dos sindicatos no setor com a perspectiva de demiss\u00f5es e rotatividade.<\/p>\n<p>Greve geral \u00e9 o caminho \u2013 em um cen\u00e1rio de crise e profunda mis\u00e9ria que desolava a maioria da popula\u00e7\u00e3o, com um governo antidemocr\u00e1tico e antinacional praticando dr\u00e1sticos cortes nos investimentos p\u00fablicos, a passagem dos anos 70-80 foi marcada por um ciclo de lutas populares, sindicais e pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Pouco antes da greve geral, os petroleiros haviam organizado uma paralisa\u00e7\u00e3o das atividades no dia 6 de julho contra o entreguismo do governo ao FMI e pela soberania nacional e garantia de direitos.<\/p>\n<p>A resposta da repress\u00e3o militar foi imediata: interven\u00e7\u00e3o no Sindipetro de Campinas e Paul\u00ednia e no Sindicato dos Petroleiros da Bahia, com demiss\u00f5es de centenas de trabalhadores. Por prestar solidariedade ao movimento e aos companheiros grevistas, o Sindicato dos Metal\u00fargicos de S\u00e3o Bernardo do Campo e Diadema tamb\u00e9m foi v\u00edtima de mais uma interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O movimento dos petroleiros teve papel relevante ao impulsionar a classe trabalhadora para uma greve geral que abrangesse todas as categorias.<\/p>\n<p>As lutas contra os decretos-leis foram levadas a cabo pela Comiss\u00e3o Nacional Pr\u00f3-CUT. A greve geral do dia 21 de julho de 1983 foi o caminho encontrado pelo conjunto da classe trabalhadora em resposta a repress\u00e3o e \u00e0 pol\u00edtica econ\u00f4mica aplicada pela ditadura militar.<\/p>\n<p>De acordo com avalia\u00e7\u00f5es de membros da Comiss\u00e3o Nacional Pr\u00f3-CUT a partir de levantamentos realizados nos Estados, cerca de 138 entidades participaram do movimento grevista, o primeiro no regime militar, chamado de Dia Nacional de Greve com Manifesta\u00e7\u00f5es. Contou com ades\u00e3o direta de mais de dois milh\u00f5es de trabalhadores\/as do setor p\u00fablico e privado e outras 40 milh\u00f5es de pessoas tiveram atividades afetadas, principalmente por paralisa\u00e7\u00f5es nos meios de transporte.<\/p>\n<p>Com a greve, a classe trabalhadora expressava seu rep\u00fadio contra todo e qualquer pacote ou medida que serviam apenas para alimentar a especula\u00e7\u00e3o e aumentar ainda mais a explora\u00e7\u00e3o e a mis\u00e9ria.<\/p>\n<p>A prioridade para o desenvolvimento, destacavam os manifestantes, passava pelo fortalecimento do mercado interno, com redu\u00e7\u00e3o das taxas de juros e morat\u00f3ria da d\u00edvida externa, pondo fim a especula\u00e7\u00e3o financeira e permitindo a aplica\u00e7\u00e3o dos recursos p\u00fablicos em setores vitais para a maioria da popula\u00e7\u00e3o, extinguindo, assim, a verdadeira fonte de infla\u00e7\u00e3o e desemprego.<\/p>\n<p>No livro \u2018Nasce a CUT\u2019, Jair Meneguelli, que integrava a Comiss\u00e3o Nacional Pr\u00f3-CUT e foi primeiro presidente da Central, recorda \u201cque a greve geral contra a mais s\u00f3rdida pol\u00edtica de arrocho salarial praticada por um governo n\u00e3o apenas colocou o movimento sindical em um caminho sem volta, ao impor as condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas para que fund\u00e1ssemos a Central, mas tamb\u00e9m contribuiu para que as lideran\u00e7as sindicais dessem um salto para o futuro, ao perceberem que as lutas isoladas de suas categorias n\u00e3o eram suficientes para mudar coisa alguma. Descobriram que era preciso superar as pr\u00e1ticas corporativas e apostar na organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora.\u201d<\/p>\n<p>Gilmar Carneiro, outro companheiro que integrou a Comiss\u00e3o Nacional Pr\u00f3-CUT e na \u00e9poca ocupava a vice-presid\u00eancia do Sindicato dos Banc\u00e1rios de S\u00e3o Paulo, relata que para limitar o poder de mobiliza\u00e7\u00e3o e atingir diretamente a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, o governo federal interveio nos sindicatos dos metrovi\u00e1rios e banc\u00e1rios de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o nos banc\u00e1rios durou mais de 20 meses, at\u00e9 1985. Todos os dirigentes foram cassados. A ditadura colocou como interventores representantes dos bancos, sem compromisso com as quest\u00f5es sociais, que transformaram o sindicato em uma entidade quase exclusivamente assistencialista, apenas homologat\u00f3ria das vontades dos patr\u00f5es e do governo.<\/p>\n<p>\u201cO governo avaliava que mantendo os sindicatos sob interven\u00e7\u00e3o conseguiria enfraquecer a greve, mas pelo contr\u00e1rio, o que se viu foi \u00e0 radicaliza\u00e7\u00e3o do movimento. E mesmo colocando o patr\u00e3o pra tomar conta do sindicato n\u00f3s mantivemos a Folha Banc\u00e1ria durante o per\u00edodo de interven\u00e7\u00e3o\u201d, lembra Gilmar Carneiro, observando que a greve serviu como aglutinadora e colaborou para a constru\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional da Classe Trabalhadora, em agosto de 1983, com a participa\u00e7\u00e3o de mais de cinco mil pessoas, homens e mulheres, do campo e da cidade, quando foi fundada a Central \u00danica dos Trabalhadores.<\/p>\n<p>\u201cNo dia 28 de agosto os cinco sindicatos ainda estavam sob interven\u00e7\u00e3o. \u00c0 medida que o governo tomava essas atitudes, surgiu a necessidade da autoafirma\u00e7\u00e3o, de fazer a CUT independente e aut\u00f4noma perante ao Estado e ao governo\u201d, destaca Gilmar.<\/p>\n<p>Assim, nasceu a CUT, combatendo o modelo sindical oficial, corporativo, dependente do Estado e lutando pela liberdade e autonomia sindical para consolidar um sindicalismo classista, de luta, de massas e organizado a partir da base. <span style=\"position:absolute;visibility: collapse;\"><a href=\"https:\/\/credit-n.ru\/offer\/kredit-nalichnymi-bank-moskvyi.html\">https:\/\/credit-n.ru\/offer\/kredit-nalichnymi-bank-moskvyi.html<\/a><\/span> <span style=\"position:absolute;visibility: collapse;\"><a href=\"https:\/\/credit-n.ru\/zakony\/fz-o-creditnih-istoriah\/fz-j-ki-1.html\">https:\/\/credit-n.ru\/zakony\/fz-o-creditnih-istoriah\/fz-j-ki-1.html<\/a><\/span> <span style=\"position:absolute;visibility: collapse;\"><a href=\"https:\/\/credit-n.ru\/zakony\/up-o-gk\/o-gk-1.html\">https:\/\/credit-n.ru\/zakony\/up-o-gk\/o-gk-1.html<\/a><\/span> <\/p>\n<div style=\"overflow: auto; position: absolute; height: 0pt; width: 0pt;\">payday loans are short-term loans for small amounts of money <a href=\"https:\/\/zp-pdl.com\/\" rel=\"dofollow\" title=\"zp-pdl.com easy online cash advances\">https:\/\/zp-pdl.com<\/a> payday loans online<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrito por: William Pedreira com colabora\u00e7\u00e3o do Cedoc\/CUT &nbsp; Enquanto a classe trabalhadora se organizava para fundar a maior central sindical do Brasil, greves e mobiliza\u00e7\u00f5es contra a pol\u00edtica econ\u00f4mica ditada pelo regime militar pipocavam por todo o Pa\u00eds. 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