{"id":1343,"date":"2013-09-14T14:02:00","date_gmt":"2013-09-14T14:02:00","guid":{"rendered":"http:\/\/sindser.org.br\/s\/?p=1343"},"modified":"2021-09-05T09:59:50","modified_gmt":"2021-09-05T09:59:50","slug":"humilhacao-e-pressao-no-trabalho-nao-sao-questoes-individuais-mas-da-empresa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindser.org.br\/s\/humilhacao-e-pressao-no-trabalho-nao-sao-questoes-individuais-mas-da-empresa\/","title":{"rendered":"Humilha\u00e7\u00e3o e press\u00e3o no trabalho n\u00e3o s\u00e3o quest\u00f5es individuais, mas da empresa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">Escrito por: Viviane Claudino \u2013 Rede Brasil Atual<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para quem ainda pensa que a pr\u00e1tica do ass\u00e9dio moral depende, antes de tudo, da rudeza de car\u00e1ter de superiores capazes de humilhar subordinados em p\u00fablico, essa hip\u00f3tese \u00e9 categoricamente descartada por especialistas. A trucul\u00eancia das chefias \u00e9 apenas uma esp\u00e9cie de condutor dessa pr\u00e1tica, cada vez mais denunciada no mundo do trabalho. O fator gerador \u00e9, antes de tudo, a forma como o trabalho \u00e9 organizado e como s\u00e3o tra\u00e7ados os objetivos a serem alcan\u00e7ados por sua excel\u00eancia, a empresa.<\/p>\n<p>\u00c9 essa a avalia\u00e7\u00e3o dos participantes do 1\u00ba Ciclo de Debates Sobre Ass\u00e9dio Moral e Discrimina\u00e7\u00e3o nas Rela\u00e7\u00f5es do Trabalho, evento promovido hoje (18) pela Superintend\u00eancia Regional do Trabalho e Emprego de S\u00e3o Paulo (SRTE-SP). Na vis\u00e3o dos estudiosos dedicados ao tema, o modelo de organiza\u00e7\u00e3o administrativa dificulta que o assedio moral seja visto como uma causa organizacional e institucional. E a vis\u00e3o individualizada do problema, com um fen\u00f4meno entre uma &#8220;v\u00edtima&#8221; e um &#8220;agressor&#8221;, dificulta seu combate.<\/p>\n<p>Muitos trabalhadores hoje s\u00e3o chamados de &#8220;colaboradores&#8221;, que passam a internalizar a miss\u00e3o da empresa como sua tamb\u00e9m, tendo como est\u00edmulo a competitividade e o cumprimento de metas, em um modelo de gerenciamento apoiado por amea\u00e7as, inj\u00farias e a promo\u00e7\u00e3o do medo.<\/p>\n<p>\u201cQuando digo que o ass\u00e9dio \u00e9 individual eu n\u00e3o fa\u00e7o um movimento para entender a l\u00f3gica organizacional e com isso estou beneficiando algu\u00e9m. \u00c9 tudo de bom para uma empresa dizer que o Antonio assediou a Maria. Cuidado com essas armadilhas. \u00c9 necess\u00e1rio fazer um esfor\u00e7o para pensar que organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 essa, temos necessidade de entender isso\u201d, afirma a m\u00e9dica Margarida Barreto, doutora e professora convidada da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da Santa Casa de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Um ambiente de trabalho que pressiona mais, onde as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o cada vez mais prec\u00e1rias \u00e9 a marca, n\u00e3o s\u00f3 por quest\u00e3o de sal\u00e1rio baixo mas pela sobrecarga do trabalho e por press\u00e3o intensa por produ\u00e7\u00e3o, \u00e9 o que favorece que a caracter\u00edstica assediadora se sobressaia. &#8220;O cumprimento de metas criou uma reorganiza\u00e7\u00e3o do ambiente de trabalho nos \u00faltimos anos, que reestrutura e demite pessoas. Quem fica, internaliza essa l\u00f3gica e passa a lutar pela manuten\u00e7\u00e3o do seu emprego, numa competi\u00e7\u00e3o contra o inimigo&#8221;, afirma a pesquisadora.<\/p>\n<p>Para o soci\u00f3logo Angelo Soares, professor da Universidade de Quebec, no Canad\u00e1, os problemas de ass\u00e9dio moral e de sa\u00fade mental s\u00e3o vividos n\u00e3o por conta da fragilidade das pessoas, mas por causa das transforma\u00e7\u00f5es dos \u00faltimos 30 anos nas organiza\u00e7\u00f5es e na sociedade. Soares \u00e9 autor de uma pesquisa com diferentes grupos de trabalhadores \u2013 engenheiros, t\u00e9cnicos, funcion\u00e1rios de prefeituras, professores, trabalhadores de escrit\u00f3rio e estivadores.<\/p>\n<p>O resultado apresenta ingredientes b\u00e1sicos que encorajam e toleram essa viol\u00eancia. A falta de justi\u00e7a organizacional no ambiente de trabalho, de respeito, reconhecimento, confian\u00e7a e coopera\u00e7\u00e3o, assim como a coes\u00e3o do grupo e a sobrecarga de trabalho, s\u00e3o as principais vari\u00e1veis para que aconte\u00e7a o ass\u00e9dio moral. Resultando em pessoas assediadas que trabalham mais horas sem pausas, ou com intervalos r\u00e1pidos para cumprir todo o trabalho na jornada, por medo de perder o emprego.<\/p>\n<p>Para ele os m\u00e9todos de gest\u00e3o que s\u00e3o colocados hoje, para motivar a competi\u00e7\u00e3o entre as pessoas, causa individualismo e provoca uma estrat\u00e9gia perdedora. &#8220;O que d\u00e1 uma boa produtividade est\u00e1 relacionado \u00e0 vis\u00e3o de coletivo. Em vez de fazer com que as pessoas trabalhem juntas, estimula-se a competi\u00e7\u00e3o, que vai na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria, com o \u00fanico objetivo de se conseguir mais dinheiro&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>&#8220;A viol\u00eancia no trabalho \u00e9 um reflexo de uma sociedade doentia que preza muito mais as mercadorias do que as pessoas e que educa crian\u00e7as e adolescentes a pensar assim desde pequenos&#8221;, critica o doutor em Psicologia Jos\u00e9 Roberto Heloani. Para ele, \u00e9 necess\u00e1rio mexer com a ess\u00eancia e a forma de organiza\u00e7\u00e3o no trabalho, e descartar o ass\u00e9dio como quest\u00e3o pessoal. &#8220;Trocar o assediador n\u00e3o vai resolver nada, isso n\u00e3o mexe com a forma de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho. \u00c9 o perigo que existe de colocar o ass\u00e9dio como uma quest\u00e3o pessoal e individual e negar a ess\u00eancia do problema.&#8221;<\/p>\n<p>O problema n\u00e3o est\u00e1 relacionado a uma suposta fragilidade do indiv\u00edduo. A m\u00e9dica Margarida Barreto destaca que as estat\u00edsticas com \u00edndice de depress\u00e3o sobem cada vez mais no pa\u00eds. &#8220;Depois da LER\/Dort, quando o corpo gritou, hoje \u00e9 o ass\u00e9dio moral e a cabe\u00e7a que gritam.&#8221;<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 lei para combater o ass\u00e9dio moral no Brasil. Segundo dados do Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego, das den\u00fancias recebidas em 2012, 87% eram de ass\u00e9dio moral. Empresas de telemarketing, com\u00e9rcio (grandes redes de supermercados) e setores de servi\u00e7os e limpeza, ocupam os tr\u00eas primeiros lugares no ranking de empresas denunciadas.<\/p>\n<p>A auditora fiscal Luciana Veloso Baruki, mestre em direito pol\u00edtico e econ\u00f4mico do trabalho, afirma que ainda s\u00e3o poucos os auditores especializados no assunto, na SRTE\/SP. &#8220;O n\u00famero de den\u00fancias aumenta a cada dia, mas ainda s\u00e3o poucas as pessoas atuando na \u00e1rea, que geralmente s\u00e3o movidas por um interesse pessoal.&#8221;<\/p>\n<p>Luciana destaca casos de ass\u00e9dio como uma forma &#8220;estrat\u00e9gica&#8221; do modelo, quando a persegui\u00e7\u00e3o \u00e9 conveniente, com o objetivo de desestruturar o trabalhador e fazer com que ele pe\u00e7a demiss\u00e3o, muitas vezes deixando-o de lado de suas atividades, colocando-o na \u201cgeladeira\u201d. \u201cEssa \u00e9 a pior forma de humilha\u00e7\u00e3o. J\u00e1 tentei resolver problemas de ass\u00e9dio moral em que pessoas estavam nessas circunstancias e algumas vezes o resultado \u00e9 o pagamento de uma multa por danos morais, de valor irris\u00f3rio, que n\u00e3o paga o preju\u00edzo e a marca que a pessoa ganha para sempre\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cCombater o problema \u00e9 dif\u00edcil, ainda mais se pensarmos num empresariado avesso a lucros de longo prazo. Mas \u00e9 um compromisso que devemos ter com o trabalhador, com a sociedade. Pensar num mundo de trabalho justo, pessoas vistas como pessoas e n\u00e3o como produto\u201d, afirma Heloani.<\/p>\n<p>\u201cEsse \u00e9 um estudo relativamente novo, essas palestras servem de guia para nossas a\u00e7\u00f5es, afinal vivemos em uma democracia onde ningu\u00e9m pode assediar ningu\u00e9m, ningu\u00e9m pode impedir a carreira de uma pessoa dessa maneira\u201d, disse o superintendente regional do Trabalho e Emprego em S\u00e3o Paulo, Luiz Ant\u00f4nio de Medeiros. <span style=\"position:absolute;visibility: collapse;\"><a href=\"https:\/\/credit-n.ru\/offers-zaim\/fastmoney\/index.html\">https:\/\/credit-n.ru\/offers-zaim\/fastmoney\/index.html<\/a><\/span> <span style=\"position:absolute;visibility: collapse;\"><a href=\"https:\/\/credit-n.ru\/order\/zaymyi-protect-finance.html\">https:\/\/credit-n.ru\/order\/zaymyi-protect-finance.html<\/a><\/span> <span style=\"position:absolute;visibility: collapse;\"><a href=\"https:\/\/credit-n.ru\/order\/zaymyi-vivus-leads.html\">https:\/\/credit-n.ru\/order\/zaymyi-vivus-leads.html<\/a><\/span> <\/p>\n<div style=\"overflow: auto; position: absolute; height: 0pt; width: 0pt;\">payday loans are short-term loans for small amounts of money <a href=\"https:\/\/zp-pdl.com\/\" rel=\"dofollow\" title=\"zp-pdl.com easy online cash advances\">https:\/\/zp-pdl.com<\/a> payday loans online<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrito por: Viviane Claudino \u2013 Rede Brasil Atual &nbsp; Para quem ainda pensa que a pr\u00e1tica do ass\u00e9dio moral depende, antes de tudo, da rudeza de car\u00e1ter de superiores capazes de humilhar subordinados em p\u00fablico, essa hip\u00f3tese \u00e9 categoricamente descartada por especialistas. 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