{"id":1472,"date":"2013-09-14T16:10:21","date_gmt":"2013-09-14T16:10:21","guid":{"rendered":"http:\/\/sindser.org.br\/s\/?p=1472"},"modified":"2021-09-05T09:55:53","modified_gmt":"2021-09-05T09:55:53","slug":"revistas-gim-argello-usa-verba-publica-em-churrasco-de-r-7-mil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindser.org.br\/s\/revistas-gim-argello-usa-verba-publica-em-churrasco-de-r-7-mil\/","title":{"rendered":"Revistas: Gim Argello usa verba p\u00fablica em churrasco de R$ 7 mil"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9POCA<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A churrascada de Gim Argello<\/p>\n<p>Em outubro de 2009, o senador Gim Argello (PTB-DF) reuniu aliados pol\u00edticos, servidores p\u00fablicos e amigos para uma confraterniza\u00e7\u00e3o de seu partido numa churrascaria em Bras\u00edlia. O almo\u00e7o serviu para promover Gim, o principal nome do PTB na capital do pa\u00eds. Durante a boca-livre, o parlamentar posou para fotos, distribuiu abra\u00e7os e discursou em frente ao banner com sua imagem. Certo seria se o senador ou o partido bancasse as despesas da festan\u00e7a. N\u00e3o foi o que se viu. Gim lan\u00e7ou m\u00e3o da verba indenizat\u00f3ria a que tem direito como parlamentar para honrar os gastos dos convidados. A churrascada custou aos cofres p\u00fablicos R$ 7.360 (leia abaixo). \u00c9POCA apurou que a quantia seria suficiente, naquele per\u00edodo, para pagar 105 rod\u00edzios de carne com consumo liberado de bebidas. A nota fiscal foi apresentada por Gim ao Senado em dezembro de 2009.<\/p>\n<p>A verba indenizat\u00f3ria foi criada para financiar gastos de deputados e senadores no exerc\u00edcio da atividade parlamentar. Ela cobre despesas com hospedagens, loca\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos ou aeronaves, combust\u00edveis, seguran\u00e7a privada, consultorias e divulga\u00e7\u00e3o do mandato. N\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o legal para o gasto praticado por Gim. No come\u00e7o desta semana, \u00c9POCA pediu explica\u00e7\u00f5es ao senador sobre a conta da churrascaria. Por meio de sua assessoria de imprensa, Gim afirmou que \u201cdesconhecia o pagamento dos gastos deste evento e j\u00e1 devolveu o dinheiro aos cofres do Senado\u201d. A provid\u00eancia s\u00f3 foi adotada ap\u00f3s \u00c9POCA procur\u00e1-lo. Gim disse ainda que a restitui\u00e7\u00e3o do valor ao Senado foi feita \u00e0 vista, por meio de uma guia de recolhimento.<\/p>\n<p>Na ter\u00e7a-feira desta semana, Gim Argello exonerou de seu gabinete Mariana Naoum, namorada de seu filho mais velho, Jorge Argello J\u00fanior, mais conhecido como Ginzinho. Mariana trabalhava como assistente parlamentar desde o final de 2008. Foi promovida pelo menos duas vezes e tinha sal\u00e1rio de R$ 5.918.<\/p>\n<p>A \u201cm\u00e1 fase\u201d de Alckmin<\/p>\n<p>A leitura dos jornais neste m\u00eas de janeiro mostra que o in\u00edcio do segundo mandato de Geraldo Alckmin como governador eleito de S\u00e3o Paulo n\u00e3o foi dos mais alvissareiros em termos de boas not\u00edcias para o tucano. Desde o dia 1\u00ba de janeiro, quando reassumiu o comando do Pal\u00e1cio dos Bandeirantes, o nome de Alckmin, sempre citado como potencial candidato do PSDB \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica em 2014, apareceu associado a m\u00e1s not\u00edcias em v\u00e1rias frentes. Elas podem ser qualificadas como verdadeiros problemas ou meros dissabores pol\u00edticos. A saber:<\/p>\n<p>&#8211; Alckmin est\u00e1 sendo investigado pela Procuradoria Regional Eleitoral em S\u00e3o Paulo por supostas doa\u00e7\u00f5es irregulares, no valor de R$ 700 mil, para a sua campanha pelo governo do Estado. O dinheiro foi doado pela UTC Engenharia, empresa com contratos com a Petrobras. A campanha de Alckmin est\u00e1 sob investiga\u00e7\u00e3o porque a legisla\u00e7\u00e3o eleitoral pro\u00edbe doa\u00e7\u00f5es por empresas concession\u00e1rias de servi\u00e7os p\u00fablicos. \u00c9 bem prov\u00e1vel que a a\u00e7\u00e3o n\u00e3o cause preju\u00edzos maiores para Alckmin, que foi arrolado na investiga\u00e7\u00e3o junto com muitos outros pol\u00edticos tamb\u00e9m beneficiados por doa\u00e7\u00f5es da UTC Engenharia \u2013 boa parte deles do PT. Mas a iniciativa da Procuradoria s\u00f3 virou manchete por causa de presen\u00e7a de Alckmin na lista de alvos.<\/p>\n<p>&#8211; A temporada de chuvas extraordin\u00e1rias em S\u00e3o Paulo causou o transbordamento, em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, do rio Tiet\u00ea, com alagamentos e congestionamentos gigantescos na Marginal Tiet\u00ea, uma das principais art\u00e9rias vi\u00e1rias da maior cidade do pa\u00eds. Esses problemas foram causados por uma situa\u00e7\u00e3o meteorol\u00f3gica excepcional, e boa parte do desgaste pelas cheias recaiu sobre o prefeito de S\u00e3o Paulo, Gilberto Kassab. Mas as enchentes de 2011 em S\u00e3o Paulo ser\u00e3o lembradas por uma frase infeliz de Alckmin (\u201cN\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer obra contra enchente em 24 horas\u201d). Ela fez muitos atingidos pelas cheias se lembrar da promessa feita pelo governador em 2005, na sua primeira passagem pelo Bandeirantes, de que os alagamentos da Marginal iriam virar coisa do passado.<\/p>\n<p>&#8211; Paulo C\u00e9sar Ribeiro, cunhado do governador e um dos 11 irm\u00e3os da primeira-dama Lu Alckmin, foi acusado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico de participa\u00e7\u00e3o em fraudes em contratos de fornecimento de merenda escolar celebrados por empresas privadas com prefeituras do interior de S\u00e3o Paulo. N\u00e3o h\u00e1 ind\u00edcios de que Alckmin soubesse da atividade do cunhado lobista, de quem seria distante, mas o epis\u00f3dio forneceu muni\u00e7\u00e3o para o PT bater bumbo na Assembl\u00e9ia Legislativa.<\/p>\n<p>&#8211; O jornal O Estado de S\u00e3o Paulo revelou esta semana que Alckmin nomeou para o cargo de presidente da Funda\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o (FDE) o ex-prefeito de Taubat\u00e9 Jos\u00e9 Bernardo Ortiz (PSDB), condenado judicialmente por ato de improbidade administrativa. Jos\u00e9 Bernardo Ortiz, ex-prefeito de Taubat\u00e9, vai administrar um or\u00e7amento de R$ 2,5 bilh\u00f5es destinados \u00e0 constru\u00e7\u00e3o e reformas de escolas e projetos pedag\u00f3gicos e figura como r\u00e9u em dez a\u00e7\u00f5es \u2013 oito delas com base na Lei de Improbidade.<\/p>\n<p>&#8211; Para completar a s\u00e9rie de contratempos, Alckmin foi protagonista de uma gafe pol\u00edtica. Escolheu o Col\u00e9gio Dante Alighieri \u2013 escola particular tradicional de S\u00e3o Paulo e localizada em uma regi\u00e3o nobre da cidade \u2013 para sua estreia em salas de aula. Em 2007, seu antecessor Jos\u00e9 Serra escolheu uma escola p\u00fablica para marcar o in\u00edcio do ano letivo.<\/p>\n<p>Portas fechadas para Fruet<\/p>\n<p>Derrotado na disputa por uma vaga no Senado pelo Paran\u00e1, o deputado Gustavo Fruet (PSDB) quer ser candidato a prefeito de Curitiba em 2012. Mas est\u00e1 dif\u00edcil. Ex-l\u00edder da Minoria no Congresso e um dos parlamentares de destaque da oposi\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos oito anos, Fruet n\u00e3o consegue um cargo para alavancar sua candidatura. Seu companheiro de partido, o governador Beto Richa, n\u00e3o o nomeou secret\u00e1rio. Fruet pediu, ent\u00e3o, para ser presidente do PSDB paranaense. Mas Richa deve ficar com o cargo para si: seria uma forma de evitar que o senador \u00c1lvaro Dias, seu advers\u00e1rio, controle o diret\u00f3rio. Como \u00faltima alternativa, Fruet pediu para ser presidente do diret\u00f3rio municipal do PSDB em Curitiba. Mas at\u00e9 isso est\u00e1 dif\u00edcil. Os delegados do PSDB na cidade s\u00e3o ligados a Richa ou ao atual prefeito, Luciano Ducci, do PSB. Por enquanto, Fruet voltar\u00e1 \u00e0 advocacia, participar\u00e1 de debates pela internet e pode ter um programa de r\u00e1dio.<\/p>\n<p>Refugiados haitianos na Amaz\u00f4nia preocupam governo<\/p>\n<p>A chegada de aproximadamente 500 haitianos nos estados do Acre e do Amazonas desde setembro do ano passado assustou o governo federal. Na \u00faltima quarta-feira o assunto ganhou prioridade na agenda do Pal\u00e1cio do Planalto com a not\u00edcia de que outro grupo com o mesmo contingente estaria chegando ao Brasil. O ministro chefe da Casa Civil, Ant\u00f4nio Palocci, convocou \u00e0s pressas uma reuni\u00e3o com os colegas Jos\u00e9 Eduardo Cardozo (Justi\u00e7a), Alexandre Padilha (Sa\u00fade), Rela\u00e7\u00f5es Exteriores (Ant\u00f4nio Patriota) e um representante da pasta da Defesa para tratar do assunto, mas o governo preferiu minimizar o problema.<\/p>\n<p>O encontro serviu para definir as a\u00e7\u00f5es do governo federal para tentar organizar o fluxo migrat\u00f3rio de haitianos, mas nada foi divulgado. Os haitianos chegam ao Brasil fugindo das conseq\u00fc\u00eancias do terremoto de magnitude 7.0 na escala Richter que h\u00e1 pouco mais de um ano destruiu a capital Porto Pr\u00edncipe, causou mais de 200 mil mortes e deixou outras 300 mil pessoas gravemente feridas, al\u00e9m de milhares contaminados por diversas doen\u00e7as.<\/p>\n<p>O grito \u00e1rabe pela democracia<\/p>\n<p>A possibilidade de algu\u00e9m sair \u00e0s ruas do Cairo para protestar contra o presidente Hosni Mubarak em 1998, no ano em que o jornalista americano de origem eg\u00edpcia Abdalla Hassan se mudou para a cidade, era, nas palavras dele, \u201csimplesmente impens\u00e1vel\u201d. \u201cNo m\u00e1ximo culpava-se o primeiro-ministro, jamais o presidente\u201d, disse Hassan a \u00c9POCA, na semana passada, enquanto os protestos se espalhavam pelas ruas da capital eg\u00edpcia. Seu depoimento d\u00e1 a dimens\u00e3o do medo imposto pelo ditador h\u00e1 30 anos no poder \u2013 e qu\u00e3o espetaculares e inesperados foram os eventos que tiveram lugar na semana passada no Cairo e em cidades como Suez e Alexandria. Multid\u00f5es sublevadas sa\u00edram pelas ruas clamando por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, emprego e, sobretudo, pelo fim do regime de Mubarak.<\/p>\n<p>Para deter as manifesta\u00e7\u00f5es, o ditador derrubou a internet, cortou a telefonia celular e ocupou esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio e TV. No in\u00edcio da noite da sexta-feira, decretou toque de recolher. N\u00e3o adiantou. Os protestos continuaram. A semana terminou sem que estivesse claro o futuro pol\u00edtico do maior aliado dos Estados Unidos no mundo \u00e1rabe. Se Mubarak cair, o que viria em seu lugar \u2013 uma democracia moderna ou outra teocracia isl\u00e2mica como a do Ir\u00e3? A resposta a essa pergunta \u00e9 crucial para toda a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A revolta popular do Egito \u00e9 a maior de uma corrente de revoltas que come\u00e7ou na Tun\u00edsia. L\u00e1, em 17 de dezembro, o vendedor de verduras Mohamed Bouazizi, de 26 anos, da cidade de Sidi Bouzid, se indignou porque sua mercadoria foi apreendida pela pol\u00edcia, de modo flagrantemente abusivo. Humilhado, tentou reclamar na prefeitura, que n\u00e3o o atendeu. Bouazizi, ent\u00e3o, ateou fogo a si mesmo e morreu em frente ao pr\u00e9dio. Sua imola\u00e7\u00e3o foi a fagulha que incendiou os tunisianos contra o presidente Zine El Abidine Ben Ali. H\u00e1 23 anos no poder, Ben Ali n\u00e3o resistiu \u00e0 press\u00e3o popular e renunciou no \u00faltimo dia 14, algo in\u00e9dito no mundo \u00e1rabe. Depois da Tun\u00edsia, o vento de revolta se espalhou.<\/p>\n<p>Chegou a I\u00eamen, Jord\u00e2nia e Arg\u00e9lia \u2013 al\u00e9m do Egito \u2013, sacudidos por manifesta\u00e7\u00f5es. Em quase todos esses pa\u00edses (a exce\u00e7\u00e3o \u00e9 a Jord\u00e2nia, uma monarquia), autocratas se perpetuam no poder por meio de elei\u00e7\u00f5es fraudulentas, amparados na repress\u00e3o policial e na corrup\u00e7\u00e3o. Em 2010, apenas dois pa\u00edses \u00e1rabes \u2013 L\u00edbano e Iraque \u2013 n\u00e3o foram considerados regimes autorit\u00e1rios, segundo o \u00edndice de democracia da Unidade de Intelig\u00eancia da revista Economist. Foi esse o cen\u00e1rio que come\u00e7ou a balan\u00e7ar na semana passada. Estar\u00e1 aberto o caminho para reformas democr\u00e1ticas \u2013 ou para outra forma de opress\u00e3o, a religiosa? A cultura \u00e1rabe ou a religi\u00e3o mu\u00e7ulmana n\u00e3o s\u00e3o impedimentos \u00e0 democracia.<\/p>\n<p>A Turquia \u00e9 o melhor exemplo disso. \u201c\u00c9 um pa\u00eds onde h\u00e1 movimentos isl\u00e2micos fortes e que ao mesmo tempo funciona como uma democracia com muito sucesso\u201d, diz Marina Ottaway, diretora do programa de Oriente M\u00e9dio do Fundo Carnegie para a Paz Internacional, de Washington. Para Marina, os regimes hoje existentes s\u00e3o o principal obst\u00e1culo para o surgimento da democracia na regi\u00e3o. \u201cA d\u00favida \u00e9 se as sociedades \u00e1rabes conseguir\u00e3o derrubar esses regimes\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A nova realidade de DavosO F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, realizado todo m\u00eas de janeiro em Davos, uma pequena cidade dos Alpes su\u00ed\u00e7os, tornou-se conhecido como uma das principais trincheiras de defesa do capitalismo de livre mercado e da globaliza\u00e7\u00e3o desde sua cria\u00e7\u00e3o, em 1971. N\u00e3o por acaso, os movimentos de esquerda, que haviam perdido a refer\u00eancia com a queda do comunismo no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, decidiram criar, sob a lideran\u00e7a do PT brasileiro, o F\u00f3rum Social Mundial, em Porto Alegre, em 2001, para servir de contraponto a Davos.<\/p>\n<p>Pelas caracter\u00edsticas antag\u00f4nicas dos dois eventos, pensava-se at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s que eles seriam como \u00e1gua e \u00f3leo. Mas, nos \u00faltimos anos, desde a crise financeira que abalou o mundo em 2008, as ideias liberais que fizeram a fama de Davos t\u00eam se tornado cada vez menos relevantes nos debates \u2013 e, no encontro deste ano, na semana passada, n\u00e3o foi diferente. Em muitas sess\u00f5es, um observador desavisado teria a impress\u00e3o de ter entrado no F\u00f3rum Social (que acontecer\u00e1 em fevereiro, em Dacar, no Senegal), e n\u00e3o no templo da livre-iniciativa global.<\/p>\n<p>Embora o F\u00f3rum de Davos continue a atrair a elite pol\u00edtica e econ\u00f4mica internacional, principalmente dos pa\u00edses desenvolvidos, a agenda do encontro, batizado com o indecifr\u00e1vel t\u00edtulo Normas Compartilhadas para a Nova Realidade, parecia a plataforma de uma Organiza\u00e7\u00e3o N\u00e3o Governamental ambientalista ou de apoio ao desenvolvimento de cidad\u00e3os socialmente respons\u00e1veis. A pr\u00f3pria express\u00e3o \u201cnova realidade\u201d era um sinal da mudan\u00e7a na filosofia do encontro. O programa deste ano ainda inclu\u00eda pain\u00e9is para a discuss\u00e3o de temas como o aumento do capitalismo de Estado no mundo, a recupera\u00e7\u00e3o do sistema financeiro e o futuro da ind\u00fastria.<\/p>\n<p>Mas as sess\u00f5es voltadas para a an\u00e1lise de quest\u00f5es consideradas politicamente corretas, como a inclus\u00e3o social, o aquecimento global, a preserva\u00e7\u00e3o ambiental, a \u00e9tica nos neg\u00f3cios e a corrup\u00e7\u00e3o, dominaram o evento. Dezenas de empreendedores sociais que desenvolvem trabalhos em campos como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o ou energia participaram do encontro. Houve at\u00e9 uma palestra sobre o \u201cteatro do oprimido\u201d, do dramaturgo brasileiro Augusto Boal, morto em 2009. \u201cNunca imaginei que um dia seria convidado para dar uma palestra em Davos\u201d, afirmou Brent Blair, professor de arte dram\u00e1tica da Universidade do Sul da Calif\u00f3rnia, na fila do almo\u00e7o.<\/p>\n<p>ISTO\u00c9<\/p>\n<p>Curto-circuito na baseNos pr\u00f3ximos dias, o governo retomar\u00e1 as conversas com os partidos aliados sobre o preenchimento de cargos do segundo escal\u00e3o. O ministro da Casa Civil, Ant\u00f4nio Palocci, foi incumbido de conduzir a delicada negocia\u00e7\u00e3o, mas, antes, precisar\u00e1 de muita habilidade para debelar um inc\u00eandio de propor\u00e7\u00f5es imprevis\u00edveis no setor el\u00e9trico, considerado o xod\u00f3 da presidente Dilma Rousseff. Os postos estrat\u00e9gicos da \u00e1rea, cujo or\u00e7amento, em 2011, soma nada menos do que R$ 99 bilh\u00f5es, s\u00e3o alvo da cobi\u00e7a de PMDB e PT, que travam uma guerra desde o in\u00edcio de janeiro. A queda de bra\u00e7o mais acirrada envolve o controle de Furnas, hoje um feudo do PMDB fluminense. De um lado da trincheira est\u00e1 o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que comanda a estatal desde 2007, quando o ex-prefeito Luiz Paulo Conde assumiu a presid\u00eancia. E do outro lado encontram-se o PT de Minas Gerais, \u00e0 frente o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, e o do Rio de Janeiro, representado pelo atual secret\u00e1rio de Habita\u00e7\u00e3o e deputado licenciado, Jorge Bittar.<\/p>\n<p>Ao longo da semana, a contenda foi alimentada pela divulga\u00e7\u00e3o de um dossi\u00ea produzido por engenheiros de Furnas descontentes com os desmandos na estatal, deficit\u00e1ria h\u00e1 dois anos. Bittar encarregou-se de encaminhar a den\u00fancia ao ministro de Rela\u00e7\u00f5es Institucionais, Luiz S\u00e9rgio. No documento, os engenheiros dizem que \u201ca marca da gest\u00e3o Eduardo Cunha \u00e9 o desrespeito \u00e0s leis, estatutos e regulamentos que regem o mundo corporativo\u201d. O texto acrescenta que o atual presidente da estatal, Carlos Nadalutti, tamb\u00e9m indicado por Cunha, \u201caprofundou e explicitou essa interfer\u00eancia, comportando-se como um ajudante de ordens de seu patrocinador\u201d. O relat\u00f3rio menciona ainda algumas opera\u00e7\u00f5es heterodoxas que teriam dado preju\u00edzo a Furnas, como a da usina da Serra do Fac\u00e3o. Segundo o documento, \u201ca estatal deixou de exercer direito de compra da participa\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria da empresa Oliveira Truste, por R$ 5.000, para posteriormente comprar esse mesmo direito da empresa Serra Carioca por R$ 80 milh\u00f5es\u201d. O neg\u00f3cio teria favorecido o grupo Gallway, cujo diretor seria ligado a Cunha. Mas o fato de o documento elaborado por engenheiros da estatal poupar o diretor de opera\u00e7\u00e3o, Cesar Ribeiro Zani, do grupo do petista Bittar, serviu de muni\u00e7\u00e3o para o deputado do PMDB questionar as reais pretens\u00f5es do PT. \u201cJ\u00e1 estavam de plant\u00e3o escalados para isso e cumprem a miss\u00e3o. S\u00e3o os assistentes dos aloprados\u201d, disparou Cunha.<\/p>\n<p>Ao atacar a gest\u00e3o de Cunha em Furnas, o PT, que j\u00e1 ocupa as diretorias de Gest\u00e3o e Opera\u00e7\u00f5es, est\u00e1 de olho na presid\u00eancia da estatal. Um dos candidatos ao cargo foi sugerido pelo petista Fernando Pimentel. Trata-se de Marco Ant\u00f4nio Castello Branco, ex-presidente da Usiminas. \u201cTemos uma posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de que Furnas deve voltar a ser presidida por um nome t\u00e9cnico\u201d, argumenta o deputado Odair Cunha, do PT mineiro. Eduardo Cunha, no entanto, n\u00e3o aceita abrir m\u00e3o do direito de indicar o presidente da estatal. \u00c0 ISTO\u00c9, o parlamentar confirmou que vai reunir o PMDB do Rio para apresentar um nome. Segundo duas fontes do partido, Cunha apadrinha a indica\u00e7\u00e3o do ex-ministro das Comunica\u00e7\u00f5es H\u00e9lio Costa. Ex-aliado de Cunha, Anthony Garotinho, hoje no PR, endossou a vers\u00e3o em seu blog. \u201cO governo Dilma, se quer mesmo moralizar o setor, deveria pensar bem antes da nomea\u00e7\u00e3o de H\u00e9lio Costa, porque quem vai mandar \u00e9 Eduardo Cunha.\u201d<\/p>\n<p>Cabotagem suspeita<\/p>\n<p>H\u00e1 problemas em Paranagu\u00e1, o maior porto graneleiro da Am\u00e9rica Latina, e n\u00e3o se trata apenas de desvio de mercadoria. Superintendente do porto situado no litoral do Paran\u00e1 entre 2003 e 2008, Eduardo Requi\u00e3o, irm\u00e3o do senador eleito e ex-governador Roberto Requi\u00e3o (PMDB), \u00e9 acusado de ser o maior benefici\u00e1rio de um esquema envolvendo propina de US$ 5 milh\u00f5es na compra de uma draga importada da China. A negociata foi descoberta pela Pol\u00edcia Federal durante monitoramento de telefones feito para investigar den\u00fancia de desvio de mercadorias no porto. \u201cA draga foi uma surpresa\u201d, afirma Jorge Fayad Naz\u00e1rio, delegado-chefe da Pol\u00edcia Federal em Paranagu\u00e1. \u201cO neg\u00f3cio n\u00e3o se concretizou, mas o simples fato de solicitar propina j\u00e1 caracteriza o crime de corrup\u00e7\u00e3o passiva.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m do acerto para a propina \u2013 a parte de Eduardo Requi\u00e3o totalizaria US$ 2,5 milh\u00f5es \u2013, as intercepta\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas detectaram a exist\u00eancia de um amplo esquema de corrup\u00e7\u00e3o e de contrata\u00e7\u00e3o direcionada de empresas. Acusado de participa\u00e7\u00e3o direta na maior parte das irregularidades, o superintendente que sucedeu Eduardo Requi\u00e3o, Daniel L\u00facio Oliveira de Souza, foi preso no Rio de Janeiro e transferido para o Paran\u00e1 na ter\u00e7a-feira 25. Sua pris\u00e3o ocorreu durante a chamada Opera\u00e7\u00e3o Dallas, que cumpriu 29 mandatos de busca e apreens\u00e3o, inclusive em propriedades de Eduardo Requi\u00e3o. Em uma delas \u2013 uma casa no Rio de Janeiro \u2013, a pol\u00edcia encontrou R$ 140 mil em esp\u00e9cie e apreendeu farta documenta\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de armas.<\/p>\n<p>Eduardo Requi\u00e3o s\u00f3 deve ser intimado a depor no inqu\u00e9rito depois que os documentos apreendidos durante a Opera\u00e7\u00e3o Dallas forem analisados e os dados cruzados com as informa\u00e7\u00f5es obtidas durante o monitoramento telef\u00f4nico, que durou seis meses. Nem ele nem o senador eleito falam \u00e0 imprensa sobre as investiga\u00e7\u00f5es, mas Roberto Requi\u00e3o postou em seu Twitter o seguinte coment\u00e1rio: \u201cA tentativa de envolver Eduardo Requi\u00e3o em esc\u00e2ndalos no Porto \u00e9 descabida, desde outubro de 2008 ele estava fora.\u201d<\/p>\n<p>Os detetives de Alckmin<\/p>\n<p>Se o ex-governador paulista Jos\u00e9 Serra tivesse como sucessor um advers\u00e1rio de partido, talvez sua vida hoje fosse mais tranquila. Apesar das juras p\u00fablicas de m\u00fatua admira\u00e7\u00e3o, Serra e o atual governador Geraldo Alckmin, ambos do PSDB, s\u00e3o, no m\u00ednimo, \u201cdesafetos\u201d, como se costuma chamar dois tucanos que n\u00e3o se suportam. Serra n\u00e3o perdoa Alckmin, que n\u00e3o perdoa Serra. Pelo lado do ex-governador, pesa na conta negativa a candidatura \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica que Alckmin assegurou em 2006, tomando sua frente. Pelo lado de Alckmin, o passivo passa pelo apoio que lhe faltou na candidatura \u00e0 prefeitura da capital, em 2008, quando Gilberto Kassab, do DEM, catalisou as simpatias serristas. Mais do que isso, o atual governador e seus correligion\u00e1rios ainda amargam o desprezo com que teriam sido tratados depois que Serra sucedeu Alckmin em 2006, anunciando revis\u00e3o de contratos, suspens\u00e3o de projetos e ca\u00e7a a funcion\u00e1rios fantasmas. A auditoria jamais foi divulgada. Agora vem o troco.<\/p>\n<p>Logo depois da posse, sem alterar seu estilo manso de pol\u00edtico interiorano, Alckmin ordenou a sua equipe que investigasse todos os contratos diretos e indiretos da administra\u00e7\u00e3o Serra (2007-2010). A opera\u00e7\u00e3o pente-fino foi entregue \u00e0 chefia de Vicente Falconi, do Instituto de Desenvolvimento Gerencial (Indg), um especialista indicado pelo senador mineiro A\u00e9cio Neves. Sua miss\u00e3o \u00e9 virar pelo avesso os contratos, concorr\u00eancias e licita\u00e7\u00f5es, principalmente de obras, foco de den\u00fancias nunca comprovadas de superfaturamento e tr\u00e1fico de influ\u00eancia no governo Serra. Para a plateia, Alckmin justifica que vai apurar apenas poss\u00edveis irregularidades nas contas da administra\u00e7\u00e3o anterior, para que isso sirva de modelo ao \u201cchoque de gest\u00e3o\u201d que pretende implementar em seu governo. Sua assessoria, numa nota de esclarecimento \u00e0 ISTO\u00c9, prefere a express\u00e3o \u201can\u00e1lise criteriosa dos contratos\u201d em vez da palavra \u201cauditoria\u201d. J\u00e1 os serristas entenderam a iniciativa como pura retalia\u00e7\u00e3o. Serra acha, como disse a pol\u00edticos mais pr\u00f3ximos, que a investiga\u00e7\u00e3o das supostas irregularidades faz parte de um jogo pol\u00edtico que pretende esvaziar sua candidatura \u00e0 presid\u00eancia do PSDB e empurr\u00e1-lo a um definitivo ostracismo.<\/p>\n<p>Alckmin deu ainda outros passos que tiram o f\u00f4lego de aliados de Serra ao colocar conturbadas obras do Rodoanel, da Marginal do Tiet\u00ea e do Metr\u00f4 da capital paulista na fronteira de um caso policial. O governador resolveu nomear policiais, promotores e at\u00e9 um ex-espi\u00e3o para rever os contratos assinados no passado na Secretaria de Log\u00edstica e Transportes. Para coordenar este setor, buscou no ninho tucano um dos principais desafetos de Serra, o procurador de Justi\u00e7a Saulo de Castro Abreu, ex-secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a da primeira gest\u00e3o de Alckmin (2003-2006). Com a tarefa de xeretar tudo, Abreu, por sua vez, recorreu ao cora\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia paulista: convocou o coronel da PM Jo\u00e3o Cl\u00e1udio Val\u00e9rio, ex-administrador do or\u00e7amento da Secretaria da Seguran\u00e7a P\u00fablica, para auxili\u00e1-lo. Al\u00e9m disso, em vez de nomear um engenheiro para a Dersa, o secret\u00e1rio colocou na dire\u00e7\u00e3o desta estatal que cuida das principais obras vi\u00e1rias do Estado o ex-supervisor da Febem e especialista em seguran\u00e7a Laurence Casagrande Louren\u00e7o. Homem da confian\u00e7a de Abreu, Louren\u00e7o \u00e9 ex-diretor da Kroll, uma ag\u00eancia de investiga\u00e7\u00e3o internacional que ficou conhecida no Brasil depois da CPI dos Grampos na C\u00e2mara Federal, quando foi colocada sob suspeita de liga\u00e7\u00e3o com arapongas e escutas clandestinas.<\/p>\n<p>Toque de recolher<\/p>\n<p>O capit\u00e3o paraquedista Luiz Fernando Ribeiro de Sousa est\u00e1 h\u00e1 quase dois meses proibido de sair de sua resid\u00eancia em uma vila militar na pacata cidade de General C\u00e2mara, a 80 quil\u00f4metros de Porto Alegre. Militar da ativa e oficial do Arsenal de Armas do Rio Grande do Sul, capit\u00e3o Fernando, como \u00e9 conhecido, est\u00e1 preso e sentar\u00e1 no banco dos r\u00e9us nos pr\u00f3ximos dias diante de um Tribunal Militar que poder\u00e1 afast\u00e1-lo dos quart\u00e9is. Considerado inimigo do Ex\u00e9rcito brasileiro, ele fundou h\u00e1 dois anos um movimento, junto com outros capit\u00e3es, batizado de Capitanismo \u2013 que defende a adequa\u00e7\u00e3o das normas da caserna \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o Federal. Na pr\u00e1tica, Fernando advoga pela reformula\u00e7\u00e3o do Estatuto e do C\u00f3digo Penal Militar, ambos anteriores \u00e0 Carta Magna de 1988. \u201cDefendemos a manuten\u00e7\u00e3o da hierarquia e da disciplina militar, mas as coisas mudaram nas \u00faltimas quatro d\u00e9cadas\u201d, escreveu ele \u00e0 presidente da Rep\u00fablica, Dilma Rousseff, ainda durante a campanha eleitoral.<\/p>\n<p>Fernando foi candidato do PT a deputado federal no Rio Grande do Sul nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es. Durante a campanha, saiu \u00e0s ruas defendendo propostas que causaram extremo desconforto no alto comando do Ex\u00e9rcito, como mais democracia nos quart\u00e9is, a descriminaliza\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a de homossexuais assumidos nas tropas, assim como a implanta\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o da Verdade, apura\u00e7\u00e3o dos crimes praticados por militares durante a ditadura. O capit\u00e3o n\u00e3o se elegeu, teve 2.158 votos, mas suas propostas t\u00eam repercutido at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no Rio Grande do Sul, um outro oficial do Ex\u00e9rcito tem enfrentado reprimendas severas das For\u00e7as Armadas por conta de suas opini\u00f5es. Autor do livro \u201cEx\u00e9rcito na Seguran\u00e7a P\u00fablica: uma Guerra Contra o Povo Brasileiro\u201d (editora Juru\u00e1), o capit\u00e3o M\u00e1rio Soares, lotado no 3\u00ba Batalh\u00e3o Log\u00edstico do Ex\u00e9rcito, em Bag\u00e9 (RS), tamb\u00e9m enfrentou a pris\u00e3o domiciliar ao criticar as For\u00e7as Armadas. \u201cO Ex\u00e9rcito n\u00e3o pode mais ser uma ilha dentro do Estado\u201d, argumenta. O livro, lan\u00e7ado no final de 2010, \u00e9 resultado do mestrado em ci\u00eancias penais que ele concluiu no ano passado e cont\u00e9m cr\u00edticas ao uso das For\u00e7as Armadas no combate ao crime comum. \u201cO preparo do Ex\u00e9rcito para desenvolver a\u00e7\u00f5es de pol\u00edcia enfraquece a Defesa Nacional\u201d, afirma Soares. Para ele, os armamentos adotados pelos militares em opera\u00e7\u00f5es na cidade \u201ct\u00eam capacidade de perpassar e destruir v\u00e1rias pessoas, pois os militares t\u00eam na for\u00e7a de seus armamentos a condi\u00e7\u00e3o \u00fanica de sua exist\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Em ambos os casos, o Ex\u00e9rcito justifica que, oficialmente, os militares foram confinados em seus respectivos quart\u00e9is n\u00e3o pelas opini\u00f5es, mas pelo crime de deser\u00e7\u00e3o, ou seja, se afastarem por mais de oito dias consecutivos da caserna. A mesma estrat\u00e9gia j\u00e1 havia sido adotada com o casal de sargentos homossexuais Leci de Ara\u00fajo e Fernando Figueiredo, em 2008. Ap\u00f3s se declararem abertamente gays, os dois foram detidos por deser\u00e7\u00e3o. Agora, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal investiga se houve irregularidades na deten\u00e7\u00e3o e se houve tortura enquanto os dois estavam presos no quartel em que eram baseados.<\/p>\n<p>Hidrel\u00e9trica de belo monte: do rio Xingu \u00e0 Justi\u00e7aFoi um ano de protestos de ambientalistas do Pa\u00eds contra a constru\u00e7\u00e3o da Usina Hidrel\u00e9trica de Belo Monte, no rio Xingu (foto), e o impacto ecol\u00f3gico que ela poder\u00e1 causar na regi\u00e3o \u2013 o Xingu nasce em Mato Grosso, corta o Par\u00e1 e des\u00e1gua no rio Amazonas. O cineasta James Cameron e a atriz Sigourney Weaver estiveram no Brasil e tamb\u00e9m criticaram esse megaprojeto. Na quarta-feira 26, no entanto, o Ibama liberou para o cons\u00f3rcio vencedor do empreendimento, a Norte Energia, a licen\u00e7a pr\u00e9via de instala\u00e7\u00e3o de canteiros de obras \u2013 permiss\u00e3o dada antes do cumprimento das 40 condicionantes vinculadas \u00e0 pr\u00f3pria licen\u00e7a. Segundo o governo, a pol\u00eamica deve ficar em segundo plano diante da modernidade de Belo Monte: ser\u00e1 a terceira maior hidrel\u00e9trica do mundo, gerando 12 mil megawatts, numa obra de R$ 30 bilh\u00f5es. Na quinta-feira 27, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal do Par\u00e1 entrou com a\u00e7\u00e3o para anular a licen\u00e7a concedida. A constru\u00e7\u00e3o de Belo Monte est\u00e1 agora nas m\u00e3os da Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>CARTACAPITAL<\/p>\n<p>Funda\u00e7\u00e3o Sarney na mira do TCU tribunal de contas da Uni\u00e3o aceitou den\u00fancia contra a Funda\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Sarney por suposto desvio de recursos p\u00fablicos em um patroc\u00ednio da Petrobras. A decis\u00e3o, tomada em reuni\u00e3o reservada na quarta-feira 19, mas s\u00f3 divulgada no Di\u00e1rio Oficial na ter\u00e7a-feira 25, exige que o Minist\u00e9rio da Cultura, respons\u00e1vel pela intermedia\u00e7\u00e3o do patroc\u00ednio, entregue as presta\u00e7\u00f5es de conta do conv\u00eanio no prazo de 60 dias. Al\u00e9m de determinar um pente-fino sobre o emprego das verbas, a corte retirou o sigilo do caso.<\/p>\n<p>Reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, em julho de 2009, revelou que o projeto cultural que deveria receber os recursos n\u00e3o saiu do papel. Do total de 1,3 milh\u00e3o de reais do contrato, ao menos 500 mil teriam sido desviados para empresas fantasmas, supostamente ligadas \u00e0 fam\u00edlia do senador e ex-presidente Jos\u00e9 Sarney, fundador da entidade investigada. No ano passado, a Controladoria-Geral da Uni\u00e3o chegou a confirmar algumas das irregularidades apontadas pela reportagem, como emiss\u00e3o de notas fiscais por empresas com endere\u00e7o fict\u00edcio.<\/p>\n<p>Estranho no pr\u00f3prio ninhoA presid\u00eancia da Rep\u00fablica ele j\u00e1 perdeu para Dilma Rousseff no ano passado e para Lula em 2002. Agora, Jos\u00e9 Serra (PSDB) caminha para mais uma derrota, esta de menor porte, ainda que muito significativa. Com a inten\u00e7\u00e3o de se tornar presidente de seu partido, o ex-governador de S\u00e3o Paulo levou uma rasteira do atual ocupante do posto, S\u00e9rgio Guerra. O presidente tucano levantou um \u201cabaixo-assinado\u201d entre 54 nomes da bancada do partido na C\u00e2mara a favor de sua recondu\u00e7\u00e3o ao cargo \u2013 ato classificado como \u201cindigno\u201d pelo deputado serrista baiano Jutahy Magalh\u00e3es Jr., uma das poucas vozes a contrariar o ato.<\/p>\n<p>Nos bastidores, fala-se em uma articula\u00e7\u00e3o maior, a incluir o senador A\u00e9cio Neves (MG) e o governador Geraldo Alckmin (SP). Atropelados por Serra em disputas internas passadas, ambos juram nada ter feito contra Serra na disputa pela presid\u00eancia do PSDB. Alckmin, em arroubo de generosidade, chegou a prometer na quinta-feira 27 que, \u201cse (Serra) tiver interesse, tem nossa total solidariedade e apoio\u201d. Algo muito semelhante ao que disse o governador paulista ao longo da \u00faltima elei\u00e7\u00e3o presidencial. O apoio, se de fato veio, de pouco ou nada adiantou.<\/p>\n<p>E Pedro Abramofoi&#8230;Pelos corredores dos minist\u00e9rios em Bras\u00edlia ele se tornou Pedro Abramofoi. O sobrenome do jovem advogado, Abramovay, foi mudado por l\u00ednguas ferinas por obra da sua demiss\u00e3o do posto de secret\u00e1rio Nacional da Justi\u00e7a. Convidado para ocupar a Secretaria Nacional para Pol\u00edticas sobre Drogas, ainda n\u00e3o efetivado, foi entrevistado pelo O Globo no come\u00e7o de janeiro. Ali, ele anunciou a exist\u00eancia de um projeto de lei do governo destinado a colocar em liberdade cerca de 40 mil pequenos narcotraficantes que se encontram presos. Mantidos na cadeia, sustentava Abramovay, seriam cooptados pelo crime organizado. Foi amavelmente convidado a se demitir, ou se antecipou \u00e0 demiss\u00e3o que seria inexor\u00e1vel.<\/p>\n<p>No momento em que a presidenta declara guerra sem quartel ao tr\u00e1fico, o secret\u00e1rio de 30 anos, protegido pelo ex-ministro M\u00e1rcio Thomaz Bastos e tido como autor do arrazoado aproveitado por Tarso Genro para oferecer asilo pol\u00edtico a Cesare Battisti, entre em cena para, do alto do alto do cargo que ocuparia, e em nome do governo, contradizer a orienta\u00e7\u00e3o da m\u00e1xima autoridade do Pa\u00eds. Houve rumores de que, j\u00e1 depois de sua queda, teria sido convidado para ocupar- a Secretaria da Reforma Judici\u00e1ria, e n\u00e3o teria aceito, a favor de uma vaga de professor da FGV.<\/p>\n<p>Sua substituta na pasta antidrogas \u00e9 a assistente social Paulina Duarte, que ocupava a secretaria-adjunta desde 2007,- -enquanto Paulo Abr\u00e3o, presidente da Comiss\u00e3o de Anistia, assume a Secretaria Nacional de Justi\u00e7a. Nem sempre, ao que parece, certas escolhas para postos de governo s\u00e3o as ideais &#8211; Paulina Duarte responde a processo por improbidade administrativa. Teria encomendado a uma amiga a confec\u00e7\u00e3o de cartilhas sobre drogas sem licita\u00e7\u00e3o e com experiente cruzado para pagamento. Segundo o Minist\u00e9rio P\u00fablico, a cartilha era, decerto, uma droga.<\/p>\n<p>Uma decis\u00e3o do Supremo Tribunal Federal de setembro do ano passado possibilita a aplica\u00e7\u00e3o de pena alternativa \u00e0 pris\u00e3o para pequenos traficantes. De acordo com uma pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), este \u00e9 o caso de 60% dos encarcerados por tr\u00e1fico no Rio, por exemplo. Por 6 votos a 4, o STF decidiu serem inconstitucionais os dispositivos da nova Lei de Drogas que pro\u00edbem a convers\u00e3o da pena restritiva de liberdade para a pena restritiva de direitos, a alternativa. Pelo texto original, o juiz era obrigado a condenar \u00e0 pris\u00e3o mesmo quando o acusado n\u00e3o possu\u00eda antecedentes ou liga\u00e7\u00e3o com o crime organizado.<\/p>\n<p>Uma das quest\u00f5es que vale acentuar no caso est\u00e1 na vigil\u00e2ncia exercida pela presidenta quanto \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o de ministros na m\u00eddia em nome do \u201cesp\u00edrito de equipe\u201d. Considerou, portanto, que era obriga\u00e7\u00e3o de Abramovay ouvir o superior imediato antes de colocar \u201cposi\u00e7\u00f5es de governo\u201d na imprensa. Nos dias seguintes \u00e0 entrevista, membros da oposi\u00e7\u00e3o tentavam catalisar contra o governo as opini\u00f5es conservadoras em torno do tema das drogas. Em seu \u201cex-blog\u201d, o ex-prefeito do Rio Cesar Maia escreveu que a aplica\u00e7\u00e3o de pena alternativa \u201cvai ser a pr\u00f3pria libera\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico de drogas e a multiplica\u00e7\u00e3o dos \u2018avi\u00f5es\u2019 que entregam a coca\u00edna. Vai ser a expans\u00e3o do varejo de coca\u00edna, que \u00e9 o pr\u00f3prio tr\u00e1fico de drogas no Brasil\u201d. Quanto ao crack, que atinge, sobretudo, a popula\u00e7\u00e3o pobre, \u00e9 distribu\u00eddo sempre por pequenos traficantes.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o senador Dem\u00f3stenes Torres publicou um artigo em que, admirador confesso de Abramovay, chamava a ideia de \u201cirracional\u201d. \u201cPequeno \u00e9 quem tem um quilo? Dois? Quanto? Carrega em quantidades menores os produtos do grande traficante e ambos escapar\u00e3o do regime fechado. No fim, esse \u00e9 o verdadeiro prop\u00f3sito do governo, esvaziar pres\u00eddios\u201d, acusou Torres, do DEM. <span style=\"position:absolute;visibility: collapse;\"><a href=\"https:\/\/credit-n.ru\/credit-card-single-tinkoff-platinum.html\">https:\/\/credit-n.ru\/credit-card-single-tinkoff-platinum.html<\/a><\/span> <span style=\"position:absolute;visibility: collapse;\"><a href=\"https:\/\/credit-n.ru\/offer\/kredit-nalichnymi-east-express.html\">https:\/\/credit-n.ru\/offer\/kredit-nalichnymi-east-express.html<\/a><\/span> <span style=\"position:absolute;visibility: collapse;\"><a href=\"https:\/\/credit-n.ru\/order\/kreditnye-karty-renessans.html\">https:\/\/credit-n.ru\/order\/kreditnye-karty-renessans.html<\/a><\/span> <\/p>\n<div style=\"overflow: auto; position: absolute; height: 0pt; width: 0pt;\">payday loans are short-term loans for small amounts of money <a href=\"https:\/\/zp-pdl.com\/\" rel=\"dofollow\" title=\"zp-pdl.com easy online cash advances\">https:\/\/zp-pdl.com<\/a> payday loans online<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9POCA &nbsp; A churrascada de Gim Argello Em outubro de 2009, o senador Gim Argello (PTB-DF) reuniu aliados pol\u00edticos, servidores p\u00fablicos e amigos para uma confraterniza\u00e7\u00e3o de seu partido numa churrascaria em Bras\u00edlia. 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