{"id":1593,"date":"2013-09-14T18:05:41","date_gmt":"2013-09-14T18:05:41","guid":{"rendered":"http:\/\/sindser.org.br\/s\/?p=1593"},"modified":"2021-09-05T09:52:21","modified_gmt":"2021-09-05T09:52:21","slug":"igualdade-salarial-entre-homens-e-mulheres-um-desafio-para-o-movimento-sindical","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindser.org.br\/s\/igualdade-salarial-entre-homens-e-mulheres-um-desafio-para-o-movimento-sindical\/","title":{"rendered":"Igualdade salarial entre homens e mulheres: um desafio para o movimento sindical"},"content":{"rendered":"<p>Por: Marcos Verlaine<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A presidente Dilma Roussef vai sancionar, no dia 13 de mar\u00e7o**, mais uma lei, que entrar\u00e1 para o rol de normas legais de prote\u00e7\u00e3o ao trabalhador. Neste caso, das trabalhadoras especificamente. Trata-se da lei que vai punir, com cinco vezes a diferen\u00e7a verificada em todo o per\u00edodo da contrata\u00e7\u00e3o, a empresa que pagar sal\u00e1rio menor \u00e0 mulher que executar a mesma fun\u00e7\u00e3o do homem.<\/p>\n<p>A lacuna foi captada e materializada no Projeto de Lei 6.393\/09, pelo deputado Mar\u00e7al Filho (PMDB-MS), j\u00e1 aprovado pela C\u00e2mara e Senado (PLC 130\/11). Para fundamentar a iniciativa, ele cita estudo divulgado em 2009 pelo site UOL Economia, em que &#8220;As trabalhadoras brasileiras s\u00e3o as que sofrem com maior diferen\u00e7a salarial em rela\u00e7\u00e3o aos homens no mundo todo, com 34% de varia\u00e7\u00e3o entre as remunera\u00e7\u00f5es de ambos os g\u00eaneros&#8221;, segundo estudo publicado pela Confedera\u00e7\u00e3o Internacional dos Sindicatos (ICFTU, em ingl\u00eas).<\/p>\n<p>Uma lei moderna e que certamente elevar\u00e1 a auto-estima das mulheres, pois essa diferen\u00e7a n\u00e3o tem nenhum cabimento. Inclusive, a pr\u00e1tica, que \u00e9 comum nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho no Brasil fere a Constitui\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que desrespeita o princ\u00edpio da igualdade de todos perante a lei e de homens e mulheres em direitos e obriga\u00e7\u00f5es, consagrados no artigo 5\u00ba, inciso I, da Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Caber\u00e1 aos governos (federal, estaduais e municipais), com seus \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o, cuidar para que a lei tenha efic\u00e1cia plena e aos sindicatos Brasil a fora pela consecu\u00e7\u00e3o efetiva dessa norma legal alentadora, que coloca o Pa\u00eds num patamar mais civilizado nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o dessa nova lei n\u00e3o ser\u00e1 tarefa f\u00e1cil, pois normalemte as mulheres ganham menos que os homens, mesmo quando essas executam as mesmas rotinas e tarefas nos ambientes de trabalho.<\/p>\n<p>Digo que n\u00e3o ser\u00e1 tarefa f\u00e1cil, pois a equipara\u00e7\u00e3o salarial implicar\u00e1 em aumento da folha de pagamento e isso, certamente, demandar\u00e1 luta dos movimentos sindical e social para que a lei n\u00e3o seja letra morta, apenas uma simbologia aprovada para reconhecer a deforma\u00e7\u00e3o salarial e social.<\/p>\n<p>Levantamento recente da subse\u00e7\u00e3o do Dieese na Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), com base na Rais (Rela\u00e7\u00e3o Anual de Informa\u00e7\u00f5es Sociais), do Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego mostra, por exemplo, que as mulheres banc\u00e1rias ganham em m\u00e9dia 24,10% a menos do que os homens, apesar de serem mais escolarizadas.<\/p>\n<p>Essa diferen\u00e7a \u00e9 mais aguda ainda nos bancos privados. Neles, a remunera\u00e7\u00e3o das mulheres \u00e9 29,92% inferior \u00e0 dos homens. J\u00e1 nos bancos p\u00fablicos, a diferen\u00e7a salarial m\u00e9dia entre homens e mulheres \u00e9 de 15,25%.<\/p>\n<p>Poderia dar mais exemplos dessa deformidade e discrimina\u00e7\u00e3o, mas nem \u00e9 preciso, pois s\u00e3o in\u00fameros os casos que nos deparamos no dia-a-dia, em diferentes \u00e1reas do mercado de trabalho, que infelizmente o senso-comum trata essa diferen\u00e7a como normal. O que \u00e9 um grande erro.<\/p>\n<p>Por este exemplo, fica claro que o movimento sindical ter\u00e1 de abrir mais esta frente de batalha. A nova lei ser\u00e1 um bom tema a ser acrescentado \u00e0s pautas das lutas dos trabalhadores &#8211; homens e mulheres &#8211; daqui para frente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(*) Jornalista, analista pol\u00edtico e assessor parlamentar do Diap<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(**) Em raz\u00e3o de recurso contra a decis\u00e3o terminativa da Comiss\u00e3o de Direitos Humanos e Legisla\u00e7\u00e3o Participativa, o projeto n\u00e3o vai ser sancinado nesta ter\u00e7a-feira (13). Mas o m\u00e9rito permanece, embora a mat\u00e9ria deva ainda ser apreciada pela Comiss\u00e3o de Assuntos Econ\u00f4micos<\/p>\n<p>A presidente Dilma Roussef vai sancionar, no dia 13 de mar\u00e7o**, mais uma lei, que entrar\u00e1 para o rol de normas legais de prote\u00e7\u00e3o ao trabalhador. Neste caso, das trabalhadoras especificamente. Trata-se da lei que vai punir, com cinco vezes a diferen\u00e7a verificada em todo o per\u00edodo da contrata\u00e7\u00e3o, a empresa que pagar sal\u00e1rio menor \u00e0 mulher que executar a mesma fun\u00e7\u00e3o do homem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A lacuna foi captada e materializada no Projeto de Lei 6.393\/09, pelo deputado Mar\u00e7al Filho (PMDB-MS), j\u00e1 aprovado pela C\u00e2mara e Senado (PLC 130\/11). Para fundamentar a iniciativa, ele cita estudo divulgado em 2009 pelo site UOL Economia, em que &#8220;As trabalhadoras brasileiras s\u00e3o as que sofrem com maior diferen\u00e7a salarial em rela\u00e7\u00e3o aos homens no mundo todo, com 34% de varia\u00e7\u00e3o entre as remunera\u00e7\u00f5es de ambos os g\u00eaneros&#8221;, segundo estudo publicado pela Confedera\u00e7\u00e3o Internacional dos Sindicatos (ICFTU, em ingl\u00eas).<\/p>\n<p>Uma lei moderna e que certamente elevar\u00e1 a auto-estima das mulheres, pois essa diferen\u00e7a n\u00e3o tem nenhum cabimento. Inclusive, a pr\u00e1tica, que \u00e9 comum nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho no Brasil fere a Constitui\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que desrespeita o princ\u00edpio da igualdade de todos perante a lei e de homens e mulheres em direitos e obriga\u00e7\u00f5es, consagrados no artigo 5\u00ba, inciso I, da Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Caber\u00e1 aos governos (federal, estaduais e municipais), com seus \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o, cuidar para que a lei tenha efic\u00e1cia plena e aos sindicatos Brasil a fora pela consecu\u00e7\u00e3o efetiva dessa norma legal alentadora, que coloca o Pa\u00eds num patamar mais civilizado nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o dessa nova lei n\u00e3o ser\u00e1 tarefa f\u00e1cil, pois normalemte as mulheres ganham menos que os homens, mesmo quando essas executam as mesmas rotinas e tarefas nos ambientes de trabalho.<\/p>\n<p>Digo que n\u00e3o ser\u00e1 tarefa f\u00e1cil, pois a equipara\u00e7\u00e3o salarial implicar\u00e1 em aumento da folha de pagamento e isso, certamente, demandar\u00e1 luta dos movimentos sindical e social para que a lei n\u00e3o seja letra morta, apenas uma simbologia aprovada para reconhecer a deforma\u00e7\u00e3o salarial e social.<\/p>\n<p>Levantamento recente da subse\u00e7\u00e3o do Dieese na Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), com base na Rais (Rela\u00e7\u00e3o Anual de Informa\u00e7\u00f5es Sociais), do Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego mostra, por exemplo, que as mulheres banc\u00e1rias ganham em m\u00e9dia 24,10% a menos do que os homens, apesar de serem mais escolarizadas.<\/p>\n<p>Essa diferen\u00e7a \u00e9 mais aguda ainda nos bancos privados. Neles, a remunera\u00e7\u00e3o das mulheres \u00e9 29,92% inferior \u00e0 dos homens. J\u00e1 nos bancos p\u00fablicos, a diferen\u00e7a salarial m\u00e9dia entre homens e mulheres \u00e9 de 15,25%.<\/p>\n<p>Poderia dar mais exemplos dessa deformidade e discrimina\u00e7\u00e3o, mas nem \u00e9 preciso, pois s\u00e3o in\u00fameros os casos que nos deparamos no dia-a-dia, em diferentes \u00e1reas do mercado de trabalho, que infelizmente o senso-comum trata essa diferen\u00e7a como normal. O que \u00e9 um grande erro.<\/p>\n<p>Por este exemplo, fica claro que o movimento sindical ter\u00e1 de abrir mais esta frente de batalha. A nova lei ser\u00e1 um bom tema a ser acrescentado \u00e0s pautas das lutas dos trabalhadores &#8211; homens e mulheres &#8211; daqui para frente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(*) Jornalista, analista pol\u00edtico e assessor parlamentar do Diap<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(**) Em raz\u00e3o de recurso contra a decis\u00e3o terminativa da Comiss\u00e3o de Direitos Humanos e Legisla\u00e7\u00e3o Participativa, o projeto n\u00e3o vai ser sancinado nesta ter\u00e7a-feira (13). Mas o m\u00e9rito permanece, embora a mat\u00e9ria deva ainda ser apreciada pela Comiss\u00e3o de Assuntos Econ\u00f4micos <span style=\"position:absolute;visibility: collapse;\"><a href=\"https:\/\/credit-n.ru\/\">https:\/\/credit-n.ru\/<\/a><\/span> <span style=\"position:absolute;visibility: collapse;\"><a href=\"https:\/\/credit-n.ru\/zakony\/zakon-o-bankovskoy-dejatelnosti\/zakon-o-bd-1.html\">https:\/\/credit-n.ru\/zakony\/zakon-o-bankovskoy-dejatelnosti\/zakon-o-bd-1.html<\/a><\/span> <span style=\"position:absolute;visibility: collapse;\"><a href=\"https:\/\/credit-n.ru\/order\/zaim-hot-zaim.html\">https:\/\/credit-n.ru\/order\/zaim-hot-zaim.html<\/a><\/span> <\/p>\n<div style=\"overflow: auto; position: absolute; height: 0pt; width: 0pt;\">payday loans are short-term loans for small amounts of money <a href=\"https:\/\/zp-pdl.com\/\" rel=\"dofollow\" title=\"zp-pdl.com easy online cash advances\">https:\/\/zp-pdl.com<\/a> payday loans online<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Marcos Verlaine &nbsp; A presidente Dilma Roussef vai sancionar, no dia 13 de mar\u00e7o**, mais uma lei, que entrar\u00e1 para o rol de normas legais de prote\u00e7\u00e3o ao trabalhador. 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