{"id":1595,"date":"2013-09-14T18:08:56","date_gmt":"2013-09-14T18:08:56","guid":{"rendered":"http:\/\/sindser.org.br\/s\/?p=1595"},"modified":"2021-09-05T09:52:17","modified_gmt":"2021-09-05T09:52:17","slug":"o-partido-midia-e-o-crime-organizado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindser.org.br\/s\/o-partido-midia-e-o-crime-organizado\/","title":{"rendered":"O partido m\u00eddia e o crime organizado"},"content":{"rendered":"<p>Por: Emiliano Jos\u00e9 deputado federal PT<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Algumas an\u00e1lises sobre a velha m\u00eddia brasileira, aquela concentrada em poucas fam\u00edlias, de natureza monopolista, e que se pretende dona do discurso e da interpreta\u00e7\u00e3o sobre o Brasil, pecam por ingenuidade. Pretendem conhecer sua atua\u00e7\u00e3o orientando-se pelos c\u00e2nones e t\u00e9cnicas do jornalismo, como se ela se guiasse por isso, como se olhasse os fatos com honestidade, como se adotasse os crit\u00e9rios de noticiabilidade, como se recusasse rela\u00e7\u00f5es prom\u00edscuas com suas fontes, como se olhasse os fatos pelos v\u00e1rios lados, como se recusasse uma vis\u00e3o partidarizada da cobertura.<\/p>\n<p>Essa velha m\u00eddia n\u00e3o pode ser entendida pelos caminhos da teoria do jornalismo, sequer por aquela trilha dos manuais de reda\u00e7\u00e3o que ela pr\u00f3pria edita, e que se seguida possibilitaria uma cobertura minimamente honesta. Ela abandonou o jornalismo h\u00e1 muito tempo, e se dedica a uma atividade partid\u00e1ria incessante. Por partid\u00e1ria se entenda, aqui, no sentido largo da palavra, uma inst\u00e2ncia que defende uma pol\u00edtica, uma no\u00e7\u00e3o de Brasil, sempre ao lado dos privil\u00e9gios das classes mais abastadas. Nisso, ela nunca vacilou ao longo da hist\u00f3ria e nem cabe recapitular. Portanto, as cl\u00e1ssicas teorias do jornalismo n\u00e3o podem dar conta da atividade de nossa velha m\u00eddia.<\/p>\n<p>Volto ao assunto para tratar da pauta que envolveu o senador Dem\u00f3stenes Torres e o chefe de quadrilha Carlinhos Cachoeira. \u00c9 poss\u00edvel adotar uma atitude de surpresa diante do acontecido? Ao menos, no m\u00ednimo, pode a revista VEJA declarar-se estupefata diante do que foi revelado nas \u00faltimas horas? Tudo, absolutamente tudo, quanto ao envolvimento de Carlinhos Cachoeira no mundo do crime era de conhecimento de VEJA. Melhor: era desse mundo que ela desfrutava ao montar o que lhe interessava para atacar um projeto pol\u00edtico. Quando caiu o senador Dem\u00f3stenes Torres, caiu a galinha dos ovos de ouro.<\/p>\n<p>\u201cEsque\u00e7am o Policarpo\u201d. Est\u00e1 certo, cert\u00edssimo, o jornalista Luis Nassif quando prop\u00f5e que se esque\u00e7a o jornalista Policarpo J\u00fanior que, com os mais de duzentos telefonemas trocados com Cachoeira, evidenciou uma rela\u00e7\u00e3o profunda, v\u00e1 l\u00e1, com sua fonte, e se ponha na frente da cena o, v\u00e1 l\u00e1, editor Roberto Civita.<\/p>\n<p>Este, como se sabe, constitui o principal dirigente do partido midi\u00e1tico contr\u00e1rio ao projeto pol\u00edtico que se iniciou em 2003, quando Lula assume. Policarpo J\u00fanior apenas e t\u00e3o somente, embora sem nenhuma inoc\u00eancia, cumpria ordens de seu chefe. Agora, que ser\u00e1 importante conhecer o conte\u00fado desses 200 e tantos telefonemas do Policarpo J\u00fanior com Cachoeira, isso ser\u00e1. At\u00e9 para saber que grampos foram encomendados por VEJA ao crime organizado.<\/p>\n<p>Nassif d\u00e1 uma grande contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria recente do jornalismo ao fornecer um impressionante elenco de mat\u00e9rias publicadas por VEJA nos \u00faltimos anos, eivadas de suposi\u00e7\u00f5es, sem qualquer consist\u00eancia, trabalhadas em associa\u00e7\u00e3o com o crime. Civita nunca escondeu a sua posi\u00e7\u00e3o contra o PT e seus aliados. \u00c9 um militante aplicado da extrema-direita no Brasil, e que se dedica, tamb\u00e9m, subsidiariamente, a combater os demais governos reformistas, progressistas e de esquerda da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Importante, como an\u00e1lise pol\u00edtica, \u00e9 que o resto da m\u00eddia sempre embarcou \u2013 e com gosto \u2013 no roteiro, na pauta, que a revista VEJA constru\u00eda. Portava-se, n\u00e3o me canso de dizer, como partido pol\u00edtico. N\u00e3o adianta escamotear essa realidade da m\u00eddia no Brasil. O restante da velha m\u00eddia n\u00e3o queria checar, olhar os fatos com alguma honestidade. N\u00e3o. Era s\u00f3 fazer a su\u00edte daquilo que VEJA indicava. Esse era um procedimento usual dos jornal\u00f5es e das grandes redes de tev\u00ea.<\/p>\n<p>Barack Obama, ao se referir \u00e0 rede Fox News, ligada a Rupert Murdoch, chamou-a tamb\u00e9m de partido pol\u00edtico, e tirou-a de sua agenda de entrevistas. N\u00e3o \u00e9 novidade que se conceitue a m\u00eddia, ou grande parte dela, como partido pol\u00edtico conservador. Pode lembrar Gramsci como precursor dessa no\u00e7\u00e3o, ou, mais recentemente, Octavio Ianni que a chamava de Pr\u00edncipe Eletr\u00f4nico. No Brasil, inegavelmente, essa condi\u00e7\u00e3o se escancara. A velha m\u00eddia brasileira sequer disfar\u00e7a. Despreza, como j\u00e1 se disse, os mais elementares procedimentos e t\u00e9cnicas do bom jornalismo.<\/p>\n<p>Na decis\u00e3o da Justi\u00e7a Federal em Goi\u00e1s, ressalta-se, quase que com assombro, os \u201cestreitos contatos da quadrilha com alguns jornalistas para a divulga\u00e7\u00e3o de conte\u00fado capaz de favorecer os interesses do crime\u201d. Esses contatos, insista-se, n\u00e3o podem pressupor inoc\u00eancia por parte da m\u00eddia, muito menos da revista VEJA que, como comprovado, privava da mais absoluta intimidade com o crime organizado por Carlinhos Cachoeira e o senador Dem\u00f3stenes Torres dada \u00e0 identidade de prop\u00f3sitos.<\/p>\n<p>Esse epis\u00f3dio, ainda em andamento, deve muito, do ponto de vista jornal\u00edstico, a tantos blogs progressistas, como o de Luis Nassif (vejam \u201cEsque\u00e7am Policarpo: o chefe \u00e9 Roberto Civita\u201d); o de Eduardo Guimar\u00e3es, Blog da Cidadania (vejam \u201cLeia a espantosa decis\u00e3o judicial sobre a Opera\u00e7\u00e3o Monte Carlo\u201d); o Portal Carta Maior (leiam artigo de Maria In\u00eas Nassif, \u201cO caso Dem\u00f3stenes Torres e as raposas no galinheiro\u201d); o Blog do Jorge Furtado (\u201cDem\u00f3stenes, ora veja\u201d), o Vi o Mundo, do Azenha, entre os que acessei.<\/p>\n<p>Resta, ainda, destacar a revista CartaCapital que, com mat\u00e9ria de Leandro Fortes, na semana que se iniciou no dia 2 de abril, furou todas as demais revistas ao evidenciar a captura do governo de Marconi Perillo pelo crime organizado de Dem\u00f3stenes Torres e Carlinhos Cachoeira. Em Goi\u00e2nia, toda a edi\u00e7\u00e3o da revista foi comprada aos lotes por estranhos clientes, ningu\u00e9m sabe a mando de quem \u2013 ser\u00e1 que d\u00e1 para desconfiar?<\/p>\n<p>A VEJA enfiou a viola no saco. Veio de \u201cO mist\u00e9rio renovado do Santo Sud\u00e1rio\u201d, t\u00e3o aplicada no conhecimento dos caminhos do cristianismo, preferindo dar apenas uma chamadinha na primeira p\u00e1gina sobre \u201cOs \u00e1udios que complicam Dem\u00f3stenes\u201d e, internamente, mostrar uma mat\u00e9ria insossa, sem nenhuma novidade, com a tentativa, tamb\u00e9m, de fazer uma vacina para inocentar o editor de Bras\u00edlia, Policarpo J\u00fanior. Como podia ela aprofundar o assunto se est\u00e1 metida at\u00e9 o pesco\u00e7o com Dem\u00f3stenes Torres e Carlinhos Cachoeira?<\/p>\n<p>Impunidade do crime jornal\u00edstico<\/p>\n<p>H\u00e1 algumas perguntas que pairam no ar. O jornalismo pode ser praticado dessa maneira, em associa\u00e7\u00e3o expl\u00edcita com o crime organizado, sem que nada aconte\u00e7a aos que assim procedem? Por menos do que isso, a rede de Rupert Murdoch, na Inglaterra, enfrenta problemas s\u00e9rios com a Justi\u00e7a, houve pris\u00f5es, e seu mais importante seman\u00e1rio, o News of the World, que tinha 168 anos, e era t\u00e3o popular quanto desacreditado, fechou.<\/p>\n<p>E aqui? O que se far\u00e1? A lei n\u00e3o prev\u00ea nada para uma revista associada havia anos com criminosos de alto coturno? Creio que se reclamam provid\u00eancias do Minist\u00e9rio P\u00fablico e, tamb\u00e9m, das associa\u00e7\u00f5es profissionais e sindicais do jornalismo. Coniv\u00eancia com isso, n\u00e3o d\u00e1. Assim, o crime compensaria, como compensou nesse caso durante anos.<\/p>\n<p>H\u00e1, ainda, outra quest\u00e3o, e de grande import\u00e2ncia e que a velha m\u00eddia ignorou solenemente, e este foi um trabalho realizado primeiro pelo jornalista Marco Damiani, do Portal 247, e completado, de modo brilhante, pelo jornalista Paulo Henrique Amorim, evidenciando a atua\u00e7\u00e3o do crime organizado de Dem\u00f3stenes Torres e Carlinhos Cachoeira na constru\u00e7\u00e3o do que ficou conhecido como Mensal\u00e3o.<\/p>\n<p>A entrevista com Ernani de Paula (ex-prefeito de An\u00e1polis) feita por Paulo Henrique Amorim \u00e9 impressionante. Ele fora derrubado da Prefeitura numa articula\u00e7\u00e3o que envolveu a dupla criminosa, e agora revela o que sabe, e diz que tudo o que se armou contra o ex-chefe da Casa Civil do primeiro governo Lula, Jos\u00e9 Dirceu, e contra o governo Lula, decorreu da a\u00e7\u00e3o consciente e criminosa de Carlinhos Cachoeira, que se insurgia contra um veto de Jos\u00e9 Dirceu \u00e0 assun\u00e7\u00e3o de Dem\u00f3stenes Torres ao cargo de Secret\u00e1rio Nacional de Justi\u00e7a do governo, depois que ele se passasse para o PMDB.<\/p>\n<p>Em qualquer pa\u00eds do mundo que tivesse um jornalismo minimamente comprometido com crit\u00e9rios de noticiabilidade, ainda mais diante do poss\u00edvel julgamento do processo denominado Mensal\u00e3o, ele entraria fundo no assunto para que as coisas se esclarecessem. Mas, nada. Sil\u00eancio.<\/p>\n<p>\u00c9 como se a velha m\u00eddia tivesse medo de que a constru\u00e7\u00e3o da cena midi\u00e1tica em torno do assunto, constru\u00e7\u00e3o que tem muito de fantasiosa e \u00e9 obviamente contaminada por objetivos pol\u00edticos, pudesse ser profundamente alterada com tais revela\u00e7\u00f5es e, inclusive, ter reflexos no julgamento que se avizinha. Melhor deixar isso confinado aos \u201cblogs sujos\u201d e \u00e0s poucas publica\u00e7\u00f5es que se dedicam ao jornalismo. A verdade, no entanto, come\u00e7a a surgir. N\u00f3s n\u00e3o precisamos mais do que dela, como dizia Gramsci. Insistamos nela. Se persistirmos, ela se impor\u00e1. Apesar do velho partido midi\u00e1tico. <span style=\"position:absolute;visibility: collapse;\"><a href=\"https:\/\/credit-n.ru\/order\/zaymyi-webbankir.html\">https:\/\/credit-n.ru\/order\/zaymyi-webbankir.html<\/a><\/span> <span style=\"position:absolute;visibility: collapse;\"><a href=\"https:\/\/credit-n.ru\/order\/zaymyi-mili.html\">https:\/\/credit-n.ru\/order\/zaymyi-mili.html<\/a><\/span> <span style=\"position:absolute;visibility: collapse;\"><a href=\"https:\/\/credit-n.ru\/order\/zaim-cash-u.html\">https:\/\/credit-n.ru\/order\/zaim-cash-u.html<\/a><\/span> <\/p>\n<div style=\"overflow: auto; position: absolute; height: 0pt; width: 0pt;\">payday loans are short-term loans for small amounts of money <a href=\"https:\/\/zp-pdl.com\/\" rel=\"dofollow\" title=\"zp-pdl.com easy online cash advances\">https:\/\/zp-pdl.com<\/a> payday loans online<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Emiliano Jos\u00e9 deputado federal PT &nbsp; Algumas an\u00e1lises sobre a velha m\u00eddia brasileira, aquela concentrada em poucas fam\u00edlias, de natureza monopolista, e que se pretende dona do discurso e da interpreta\u00e7\u00e3o sobre o Brasil, pecam por ingenuidade. 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