{"id":24829,"date":"2021-10-01T13:53:01","date_gmt":"2021-10-01T13:53:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sindser.org.br\/s\/?p=24829"},"modified":"2021-10-01T13:53:03","modified_gmt":"2021-10-01T13:53:03","slug":"outubro-rosa-pandemia-interfere-de-forma-direta-na-deteccao-do-cancer-de-mama","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindser.org.br\/s\/outubro-rosa-pandemia-interfere-de-forma-direta-na-deteccao-do-cancer-de-mama\/","title":{"rendered":"Outubro Rosa: Pandemia interfere de forma direta na detec\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer de mama"},"content":{"rendered":"\n<p>No Brasil, o c\u00e2ncer de mama responde por cerca de 67 mil novos diagn\u00f3sticos de c\u00e2ncer todos os anos, de acordo com o INCA.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto os olhos do mundo ainda seguem voltados para o combate ao Coronav\u00edrus, em 2021, o Outubro Rosa ganha ainda mais relev\u00e2ncia no refor\u00e7o da mensagem sobre a import\u00e2ncia do diagn\u00f3stico do c\u00e2ncer em fase inicial, assim como a sua preven\u00e7\u00e3o, que mesmo em tempos de Covid-19 devem ser lembrados como as melhores \u2018armas\u2019 de combate \u00e0 doen\u00e7a. O alerta especial referente \u00e0 incid\u00eancia do c\u00e2ncer de mama, cuja ocorr\u00eancia em mulheres corresponde a 99% de todos os casos registrados mundialmente, \u00e9 justificado por dados do&nbsp;<a href=\"https:\/\/acsjournals.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.3322\/caac.21660\">GLOBOCAN 2020<\/a>, que alertam para a necessidade de um olhar de lupa para o assunto.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo, divulgado em fevereiro de 2021 pela Ag\u00eancia Internacional de Pesquisas sobre o C\u00e2ncer (IARC, da sigla em ingl\u00eas) \u2013 entidade intergovernamental que faz parte da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) \u2013 e pela Sociedade Norte-Americana de C\u00e2ncer (ACS), mostra que cen\u00e1rio da oncologia est\u00e1 mudando, com acelera\u00e7\u00e3o em todo planeta nos \u00edndices de incid\u00eancia de neoplasias malignas e trazendo o c\u00e2ncer de mama para o topo da lista entre os mais diagnosticados em todo o mundo, superando pela primeira vez neste ranking os tumores de pulm\u00e3o.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Para o oncologista Max Mano, l\u00edder de tumores de mama do Grupo Oncocl\u00ednicas, este cen\u00e1rio \u00e9 reflexo, em grande parte, de aspectos inerentes ao desenvolvimento s\u00f3cio-econ\u00f4mico e cultural dos diferentes pa\u00edses. \u201cO cont\u00ednuo aumento global na incid\u00eancia do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jornalcontabil.com.br\/outubro-rosa-conheca-os-mitos-e-as-verdades-sobre-o-cancer-de-mama\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">c\u00e2ncer de mama<\/a>&nbsp;se deve a um conjunto de fatores que incluem mudan\u00e7as no estilo de vida \u2013 tais como a epidemia de obesidade, uso de horm\u00f4nios, menarca precoce\/menopausa tardia, menor (e mais tardia) paridade\/amamenta\u00e7\u00e3o, maior consumo de \u00e1lcool, sedentarismo -, demogr\u00e1ficas, relativas ao envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, e, possivelmente, uma maior capacidade dos pa\u00edses ricos de fazerem diagn\u00f3sticos\u201d, destaca.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ele frisa que, apesar do c\u00e2ncer de mama ainda apresentar taxas menores de letalidade em compara\u00e7\u00e3o aos tumores de pulm\u00e3o, os dados apresentados pela OMS acendem um sinal vermelho sobre a aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas de incentivo \u00e0 detec\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a em pa\u00edses emergentes, caso do Brasil. Por aqui, o c\u00e2ncer de mama \u00e9 respons\u00e1vel por cerca de 30% de todos os casos de neoplasias entre o g\u00eanero feminino.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cApesar da incid\u00eancia crescente, em geral, a mortalidade por muitos tipos de c\u00e2ncer, especialmente o de mama, vem diminuindo nos \u00faltimos anos. A m\u00e1 not\u00edcia \u00e9 que isso s\u00f3 tem ocorrido, ao menos de maneira consistente, nos chamados pa\u00edses desenvolvidos. Por causa da ocorr\u00eancia de diagn\u00f3sticos em est\u00e1gio mais avan\u00e7ado e do menor acesso a tratamentos, a letalidade por c\u00e2ncer \u00e9 maior em pa\u00edses em desenvolvimento do que nos desenvolvidos, um fato cruel que foi acertadamente captado pelo estudo GLOBOCAN 2020\u201d, aponta Max Mano.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso exigir\u00e1 esfor\u00e7os cont\u00ednuos no sentido de aumentar a taxa de cobertura da mamografia de rastreamento populacional, assim como o n\u00edvel de alerta das mulheres para altera\u00e7\u00f5es na mama, requerendo aten\u00e7\u00e3o dos especialistas para que o c\u00e2ncer de mama seja diagnosticado o mais cedo poss\u00edvel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO baixo investimento em medidas de preven\u00e7\u00e3o e diagn\u00f3stico e da menor oferta de tratamentos oportunos e eficazes pode condenar os pa\u00edses subdesenvolvidos e em desenvolvimento a anos de atraso nas pol\u00edticas de combate ao c\u00e2ncer em rela\u00e7\u00e3o aos seus pares mais afortunados\u201d, diz o oncologista da Oncocl\u00ednicas.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jornalcontabil.com.br\/outubro-rosa-conheca-os-mitos-e-as-verdades-sobre-o-cancer-de-mama\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">c\u00e2ncer de mama<\/a>&nbsp;responde por cerca de 67 mil novos diagn\u00f3sticos de c\u00e2ncer todos os anos, de acordo com o Instituto Nacional do C\u00e2ncer (INCA). De forma geral, a mamografia \u00e9 o principal exame preventivo para identifica\u00e7\u00e3o de tumores de mama. Ela deve ser realizada anualmente por todas as mulheres acima dos 40 anos e a decis\u00e3o por adiar ou n\u00e3o esse exame s\u00f3 deve ser tomada mediante o aconselhamento m\u00e9dico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As chances de cura chegam a 95% ou mais quando o tumor \u00e9 descoberto no in\u00edcio, sendo o tratamento menos invasivo, o que melhora, em muito, a qualidade de vida durante e ap\u00f3s o tratamento da doen\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-covid-19-trar-consequ-ncias-na-luta-contra-o-c-ncer\"><strong>Covid-19 trar\u00e1 consequ\u00eancias na luta contra o c\u00e2ncer&nbsp;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A descoberta tardia pelo atraso na realiza\u00e7\u00e3o de exames de rastreamento e a falta de acesso a tratamentos, especialmente em pa\u00edses em desenvolvimento, est\u00e3o entre os aspectos ressaltados pela OMS como efeitos que afetam diretamente os cuidados oncol\u00f3gicos. A organiza\u00e7\u00e3o informou que nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas o n\u00famero total de pessoas com c\u00e2ncer quase dobrou, saltando de 10 milh\u00f5es estimados em 2000 para 19.3 milh\u00f5es em 2020.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>As proje\u00e7\u00f5es indicam ainda que nos pr\u00f3ximos anos h\u00e1 uma tend\u00eancia de eleva\u00e7\u00e3o dos \u00edndices de detec\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer, chegando ao patamar de quase 50% a mais em 2040 em compara\u00e7\u00e3o ao panorama atual, quando o mundo deve ent\u00e3o registrar algo em torno de 28.4 milh\u00f5es de casos de c\u00e2ncer. Isso significa que a cada 5 pessoas, uma ter\u00e1 c\u00e2ncer em alguma fase da vida. Nos pa\u00edses mais pobres, a incid\u00eancia da doen\u00e7a deve ter um crescimento superior a 80%.<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00famero de mortes por c\u00e2ncer, por sua vez, subiu de 6,2 milh\u00f5es em 2000 para 10 milh\u00f5es em 2020 \u2013 uma equa\u00e7\u00e3o que aponta que a cada seis mortes no mundo uma acontece em decorr\u00eancia do c\u00e2ncer. E a tend\u00eancia \u00e9 que haja aumento nesse triste ranking, j\u00e1 que a OMS tamb\u00e9m indica que a pandemia trar\u00e1 como consequ\u00eancia mais casos de pacientes com c\u00e2ncer em est\u00e1gio avan\u00e7ado por conta dos atrasos na descoberta e tratamentos de tumores malignos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2020, primeiro ano dos protocolos contra o Novo Coronav\u00edrus, o Brasil, por sua vez, teve uma grande queda na busca pelo diagn\u00f3stico. A mamografia de rastreamento, exame indicado como parte da rotina de cuidados para mulheres a partir de 40 anos, apresentou queda de&nbsp;84% em compara\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior. A estimativa foi feita pela Funda\u00e7\u00e3o do C\u00e2ncer, com base em dados do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS).&nbsp;Outros exames fundamentais para a sa\u00fade da mulher, como o citopatol\u00f3gico c\u00e9rvico vaginal (papanicolau), tanto para diagn\u00f3stico, como para rastreamento de c\u00e2ncer do colo do \u00fatero, tamb\u00e9m apresentaram queda: a redu\u00e7\u00e3o foi de mais de 50%.<\/p>\n\n\n\n<p>Complementarmente, um outro dado, da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Medicina Diagn\u00f3stica (Abramed) \u2013 que representa empresas do segmento de sa\u00fade suplementar \u2013 aponta uma queda na quantidade de mamografias realizadas na rede privada do pa\u00eds de 46,4% quando comparado o per\u00edodo de mar\u00e7o a agosto de 2020 com os mesmos meses de 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs reflexos do adiamento nos acompanhamentos m\u00e9dicos de rotina por medo de exposi\u00e7\u00e3o&nbsp; ao novo coronav\u00edrus podem a curto e m\u00e9dio prazos, de fato, desencadear um aumento global nos \u00edndices de tumores descobertos em fase mais avan\u00e7ada. Isso vai impactar na sobrevida dos pacientes oncol\u00f3gicos, como uma das heran\u00e7as perversas da pandemia para a sa\u00fade como um todo\u201d, afirma Max Mano.<\/p>\n\n\n\n<p>As bi\u00f3psias tamb\u00e9m tiveram uma redu\u00e7\u00e3o de 39,11% no Brasil, segundo o INCA, quando comparados os meses de mar\u00e7o a dezembro de 2019 e 2020. Em 2019 foram realizados 737.804 desses procedimentos e, em 2020, um total de 449.275. As maiores quedas ocorreram nos meses de abril (-63,3%) e maio (-62,6%), per\u00edodo de pico da primeira onda de Covid no Pa\u00eds e, de acordo com especialistas, a diminui\u00e7\u00e3o das bi\u00f3psias para diagn\u00f3stico de c\u00e2ncer repercutem de maneira grave na mortalidade dos pacientes com c\u00e2ncer, j\u00e1 que muitas pessoas n\u00e3o est\u00e3o sendo diagnosticadas, nem tratadas durante a pandemia, o que permite que o tumor se desenvolva.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O oncologista do Grupo Oncocl\u00ednicas, Max Mano, refor\u00e7a que \u201co c\u00e2ncer n\u00e3o espera\u201d. A condi\u00e7\u00e3o faz parte do rol de doen\u00e7as estabelecido pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, cujo tratamento n\u00e3o pode ser considerado eletivo. Atualmente, ainda de acordo com os dados do GLOBOCAN, mais de 1,5 milh\u00e3o de brasileiros t\u00eam tumores malignos, sendo que em 2020 foram diagnosticados 592.212 novos casos e registrados 259.949 \u00f3bitos em decorr\u00eancia de neoplasias malignas. Estimativas do Instituto Nacional do C\u00e2ncer (INCA) indicam que s\u00e3o esperados ao menos outros 625 mil diagn\u00f3sticos de c\u00e2ncer at\u00e9 o final de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.jornalcontabil.com.br\/outubro-rosa-pandemia-interfere-de-forma-direta-na-deteccao-do-cancer-de-mama\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.jornalcontabil.com.br\/outubro-rosa-pandemia-interfere-de-forma-direta-na-deteccao-do-cancer-de-mama\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.jornalcontabil.com.br\/outubro-rosa-pandemia-interfere-de-forma-direta-na-deteccao-do-cancer-de-mama\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil, o c\u00e2ncer de mama responde por cerca de 67 mil novos diagn\u00f3sticos de c\u00e2ncer todos os anos, de acordo com o INCA. 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