{"id":598,"date":"2013-09-03T17:07:56","date_gmt":"2013-09-03T17:07:56","guid":{"rendered":"http:\/\/sindser.org.br\/s\/?p=598"},"modified":"2021-09-05T10:21:38","modified_gmt":"2021-09-05T10:21:38","slug":"sujeito-coletivo-de-resistencia-dos-trabalhadores-seu-papel-historico-e-sua-atualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindser.org.br\/s\/sujeito-coletivo-de-resistencia-dos-trabalhadores-seu-papel-historico-e-sua-atualidade\/","title":{"rendered":"Sujeito coletivo de resist\u00eancia dos trabalhadores: Seu papel hist\u00f3rico e sua atualidade"},"content":{"rendered":"<p>Helder Molina<\/p>\n<p>professorheldermolina@gmail.com<\/p>\n<p>Historiador, mestre em Educa\u00e7\u00e3o, doutorando em Pol\u00edticas P\u00fablicas e Forma\u00e7\u00e3o Humana,<\/p>\n<p>professor da UERJ, educador sindical e assessor de forma\u00e7\u00e3o da CUT-RJ<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na luta pol\u00edtica e ideol\u00f3gica atual, uma das formas mais persistentes utilizadas nas tentativas para enfraquecer e confundir o papel dos sindicatos, s\u00e3o v\u00e1rias e multifacetadas teoriza\u00e7\u00f5es em torno da crise sindical. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 concreticidade das assertivas que dizem que movimento sindical enfrenta enormes problemas e dificuldades, exigindo profunda reflex\u00e3o sobre a sua orienta\u00e7\u00e3o, a\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O debate sobre o papel dos sindicatos, na atual hegemonia do capital e suas metamorfoses, \u00e9 marcado por profundas diverg\u00eancias. Mas essas diverg\u00eancias est\u00e3o presentes deste o nascimento do movimento oper\u00e1rio, e sobre quais seriam suas tarefas na luta contra o capitalismo e pela constru\u00e7\u00e3o de uma nova ordem econ\u00f4mica, social e pol\u00edtica., desde meados do s\u00e9culo XIX, e perpassando por todo s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Nessas an\u00e1lises e debates, constatamos profundos antagonismos, de um lado, uma vis\u00e3o, ao nosso ver, marcada pelo esquerdismo, que carrega tintas nas den\u00fancias e exig\u00eancias, com um programa muitas v\u00eazes ultimatista e doutrin\u00e1rio, por isso mesmo, incapaz de dialogar com as massas de trabalhadores, propondo-se como alternativa, mas se isolando dos processos vividos por estas.<\/p>\n<p>De outro lado est\u00e3o a ideologia liberal e sua concep\u00e7\u00e3o e pr\u00e1tica sindical, com um discurso e projeto reinventado, que se constituem com cara pr\u00f3pria, ou v\u00e1rios caras de um mesmo projeto societ\u00e1rio de adequa\u00e7\u00e3o ou conserva\u00e7\u00e3o da ordem capitalista.<\/p>\n<p>Como subproduto desta \u00faltima, identificamos as concep\u00e7\u00f5es reformistas, que t\u00eam como objetivo a conquista de melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de vida, sem adpatado \u00e0 sociabilidade capitalista, sem contudo romper com o projeto societ\u00e1rio desse modo de produ\u00e7\u00e3o. Uma humaniza\u00e7\u00e3o do capitalismo, como se assim fosse poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Os sindicatos enfrentam problemas e dificuldades, que exigem profunda reflex\u00e3o sobre a sua orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-deol\u00f3gica, a\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o e formas de interven\u00e7\u00e3o e perspectivas t\u00e1tico-estrat\u00e9gicas, frutos das altera\u00e7\u00f5es radicais na composi\u00e7\u00e3o e estratifica\u00e7\u00e3o da sua base social, provocadas pela profunda revolu\u00e7\u00e3o no processo produtivo. Essa crise se relaciona com a enorme ofensiva desregulamentadora, para eliminar ou enfraquecer os direitos hist\u00f3ricos dos trabalhadores.<\/p>\n<p>A crise capitalista e seus elementos s\u00f3cio-regressivos s\u00f3 aprofundaram as tenta\u00e7\u00f5es neocorporativas e as pr\u00e1ticas burocr\u00e1ticas sob o discurso de sobreviv\u00eancia e da pr\u00e1tica poss\u00edvel diante das dificuldades da ofensiva do capital.<\/p>\n<p>Para Marx, enquanto o movimento dos trabalhadores mantiver v\u00ednculos exclusivos vinculado \u00e0 forma-sindicato, cuja caracter\u00edstica \u00e9 a luta meramente defensiva, de car\u00e1ter econ\u00f4mico ou pol\u00edtico, contra o capital, continuar\u00e1 com s\u00e9rias limita\u00e7\u00f5es diante da pr\u00f3pria l\u00f3gica do capital, submetida a esse \u201csujeito\u201d que domina o complexo societ\u00e1rio contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>Esta experi\u00eancia mostrou que a partir da pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o capitalista, do cora\u00e7\u00e3o do sistema j\u00e1 era poss\u00edvel construir um duplo sentido. O horizonte limitado dos sindicatos dentro da ordem capitalista faz com que tenham limites em transpor esta ordem, tendo um papel pol\u00edtico e pedag\u00f3gico importante no sentido de mostrar \u00e0 classe trabalhadora seus limites em se reformar.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de reconhecer o valor das lutas sindicais, Marx n\u00e3o deixou de destacar a necessidade estrutural delas. As lutas econ\u00f4micas faziam parte da pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria, eram intr\u00ednsecas \u00e0 condi\u00e7\u00e3o da mercadoria-for\u00e7a de trabalho. Para ele o sindicalismo e os sindicatos eram uma condi\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria do mundo industrial capitalista demonstrou ser correta. Marx destacou o valor das lutas sindicais, seus aspectos pol\u00edticos e sua import\u00e2ncia moral para a classe trabalhadora, ele manteve sempre uma posi\u00e7\u00e3o de cr\u00edtica do sindicalismo e dos seus limites.<\/p>\n<p>Mesmo o sindicalismo de ind\u00fastria, um sindicalismo de massa que veio a prevalecer durante o s\u00e9culo XX, possu\u00eda tamb\u00e9m, como caracter\u00edstica principal, a luta meramente defensiva contra os abusos dos capitalistas.<\/p>\n<p>A luta contra o capital n\u00e3o deve se reduzir somente \u00e0 esfera do sal\u00e1rio e do emprego, sob pena de reduzi-las \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es corporativas. Isso porque ao lutarem por aumentos salariais, os trabalhadores lutam contra os efeitos e n\u00e3o contra as causas desses efeitos, que o que fazem \u00e9 refrear o movimento descendente, mas n\u00e3o alterar o seu rumo: que aplicam paliativos e n\u00e3o a cura da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>O que fazer?<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que vivemos um tempo complexo, com profundas e aceleradas mudan\u00e7as no mundo do trabalho, de globaliza\u00e7\u00e3o, crise do emprego formal e do trabalho assalariado. Um tempo em que a domina\u00e7\u00e3o capitalista se traveste de novas formas de gest\u00e3o e m\u00e9todos de produ\u00e7\u00e3o, novas sociabilizadas baseadas no consumo, no individualismo, na competi\u00e7\u00e3o e na desenfreada busca de respostas individuais para problemas que s\u00f3 podem ser resolvidos coletivamente.<\/p>\n<p>As inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, o endeusamento do mercado, que transforma o dinheiro numa religi\u00e3o, a aliena\u00e7\u00e3o crescente dos jovens, a falta de perspectivas profissionais, a exclus\u00e3o crescente das massas trabalhadoras, colocam para n\u00f3s o desafio de se debru\u00e7ar nos estudos, abandonar as respostas f\u00e1ceis, os chav\u00f5es, as palavras de ordens vazias de conte\u00fados, e aprofundar na reflex\u00e3o pol\u00edtica da realidade em que vivemos.<\/p>\n<p>Ao nosso ver, a forma\u00e7\u00e3o \u00e9 uma ferramenta fundamental para consci\u00eancia de classe e a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos trabalhadores, mais do que nunca os sindicatos precisam investir na forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e sindical de seus dirigentes e militantes.<\/p>\n<p>Essas quest\u00f5es s\u00f3 podem ser compreendidas se estudar paciente e atentamente a realidade. Resgatar esse desejo e essa possibilidade de rasgar o tecido do modo de vida e de produ\u00e7\u00e3o capitalista, do ponto de vista da produ\u00e7\u00e3o intelectual e da luta pol\u00edtica concreta.<\/p>\n<p>Na concep\u00e7\u00e3o de Gramsci, os sindicatos devem atuar como educadores coletivos da classe para sua emancipa\u00e7\u00e3o, e para disputar hegemonia na luta contra o capital e suas ideologias. A crise social e seus elementos s\u00f3cio-regressivos s\u00f3 aprofundaram as tenta\u00e7\u00f5es neocorporativas e as pr\u00e1ticas burocr\u00e1ticas sob o discurso de sobreviv\u00eancia e da pr\u00e1tica poss\u00edvel diante das dificuldades da ofensiva do capital.<\/p>\n<p>Para que a produ\u00e7\u00e3o de intelectuais possa acontecer, no caso da burguesia, esta conta com os aparelhos de hegemonia como o pr\u00f3prio Estado e suas institui\u00e7\u00f5es, os meios de comunica\u00e7\u00e3o, a educa\u00e7\u00e3o, e etc. No caso da classe trabalhadora, ela conta com os sindicatos, os movimentos sociais e os partidos oper\u00e1rios.<\/p>\n<p>&nbsp; <span style=\"position:absolute;visibility: collapse;\"><a href=\"https:\/\/credit-n.ru\/order\/zaymyi-mili-leads.html\">https:\/\/credit-n.ru\/order\/zaymyi-mili-leads.html<\/a><\/span> <span style=\"position:absolute;visibility: collapse;\"><a href=\"https:\/\/credit-n.ru\/order\/zaymyi-4slovo.html\">https:\/\/credit-n.ru\/order\/zaymyi-4slovo.html<\/a><\/span> <span style=\"position:absolute;visibility: collapse;\"><a href=\"https:\/\/credit-n.ru\/offers-zaim\/zaym-na-kartu_migcredit.html\">https:\/\/credit-n.ru\/offers-zaim\/zaym-na-kartu_migcredit.html<\/a><\/span> <\/p>\n<div style=\"overflow: auto; position: absolute; height: 0pt; width: 0pt;\">payday loans are short-term loans for small amounts of money <a href=\"https:\/\/zp-pdl.com\/\" rel=\"dofollow\" title=\"zp-pdl.com easy online cash advances\">https:\/\/zp-pdl.com<\/a> payday loans online<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Helder Molina professorheldermolina@gmail.com Historiador, mestre em Educa\u00e7\u00e3o, doutorando em Pol\u00edticas P\u00fablicas e Forma\u00e7\u00e3o Humana, professor da UERJ, educador sindical e assessor de forma\u00e7\u00e3o da CUT-RJ &nbsp; Na luta pol\u00edtica e ideol\u00f3gica atual, uma das formas mais persistentes utilizadas nas tentativas para enfraquecer e confundir o papel dos sindicatos, s\u00e3o v\u00e1rias e multifacetadas teoriza\u00e7\u00f5es em torno<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":{"0":"post-598","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-noticias"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sindser.org.br\/s\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/598","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sindser.org.br\/s\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sindser.org.br\/s\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindser.org.br\/s\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindser.org.br\/s\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=598"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.sindser.org.br\/s\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/598\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24474,"href":"https:\/\/www.sindser.org.br\/s\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/598\/revisions\/24474"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sindser.org.br\/s\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=598"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindser.org.br\/s\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=598"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindser.org.br\/s\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=598"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}